Danbury, CT - Monday, May 21 2012
Home | Editorial | Breno da Mata

Editorial - Breno da Mata

Alto preço

02/18/2009 08:34:55 AM
Editorial - Breno da Mata

Breno da Mata

  Versão para impressão
  Enviar para um amigo

O que eu havia previsto, neste espaço, no início da crise financeira norte-americana, está se provando verdadeiro.

No início de novembro eu escrevi: “... como fica o americano comum que acaba de perder o emprego de 10, 15 anos no banco? O que ele sabe fazer além disso? O que ele está disposto a fazer para sobreviver até que as coisas melhorem?”.

Sem querer ir ao extremo do pessimismo, me contive e deixei para os leitores fazerem o exercício mental de entender além de minhas palavras, ou seja, acostumados com a abundância financeira, muitos não iriam suportar viver num país em recessão.

Aqueles, atingidos diretamente, já começam a cometer um dos atos mais extremos do ser humano: o suicídio.

Este foi o caso de um executivo de Manhattan, que depois de perder U$1.4 bilhões para o esquema fraudulento de Bernie Madoff, escreveu uma carta de despedida para a família antes de tomar uma overdose de remédios e cortar o próprio pulso.

E este não foi um caso isolado. Apenas em 2008, em todo o país, cerca de 10 milionários tiraram a própria vida devido a algum tipo de problema financeiro.

Outro caso que chamou a atenção foi a do investidor na área de imóveis, Patrick Rocca, que depois de perder milhões com a crise imobiliária, esperou até que a esposa saísse de casa para levar os filhos à escola antes de dar um tiro na cabeça.

Estas pessoas, dizem os psiquiatras, não estão acostumados com o fracasso. Não estão acostumados a estarem errados. Para eles, ou a vida é recheada de sucesso ou não vale a pena viver.

Mas esta não é a primeira vez que o país assiste a este “fenômeno”. Durante a grande depressão de 1929, com a pior crise financeira na história dos EUA, era comum ver executivos se atirando de prédios.

No pico da crise, em 1933, quando 25% dos americanos não tinham trabalho, o índice de suicídio pulou de 14 para 17 por cada 100.000 pessoas. O maior da história.

Os EUA não são como no Brasil, onde milhões de pessoas passam a vida sem economizar dinheiro para a aposentadoria e mesmo assim são capazes de sobreviver na velhice.

Com o alto custo da saúde, da universidade dos filhos e da moradia, grande parte dos norte-americanos são obrigados a depender de planos de aposentadoria complementar, geralmente investidas em bolsas de ações, para garantir uma velhice decente.

Quando um elo desta corrente se rompe, não é somente o dinheiro que se perde, mas uma vida inteira de sacrifício.

O preço que se paga por uma vida calcada somente no dinheiro e nas coisas materiais, por vezes, é alto demais.


Um abraço,

Breno da Mata

Comentários
Carregando...
Edição Impressa
Assine nossa Newsletter
Entre com seu e-mail abaixo para receber nossa newsletter
Publicidade

Comunidade News | Expediente | Fale Conosco | Política de Privacidade | Login

© Comunidade News LLC.

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Comunidade News LLC. <a href="http://marcusnunes.com" title="Marcus Nunes">Marcus Nunes</a> <a href="http://jovemempreendedor.com" title="Jovem Empreendedor">Jovem Empreendedor</a> <a href="http://56coisas.com" title="Listar metas">Listar metas</a>
Connecticut - New York - New Jersey
  Capa | Videos | Expediente | Fale Conosco
Buscar: