Breno da Mata Versão para impressão
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O que eu havia previsto, neste espaço, no início da crise financeira norte-americana, está se provando verdadeiro.
No início de novembro eu escrevi: “... como fica o americano comum que acaba de perder o emprego de 10, 15 anos no banco? O que ele sabe fazer além disso? O que ele está disposto a fazer para sobreviver até que as coisas melhorem?”.
Sem querer ir ao extremo do pessimismo, me contive e deixei para os leitores fazerem o exercício mental de entender além de minhas palavras, ou seja, acostumados com a abundância financeira, muitos não iriam suportar viver num país em recessão.
Aqueles, atingidos diretamente, já começam a cometer um dos atos mais extremos do ser humano: o suicídio.
Este foi o caso de um executivo de Manhattan, que depois de perder U$1.4 bilhões para o esquema fraudulento de Bernie Madoff, escreveu uma carta de despedida para a família antes de tomar uma overdose de remédios e cortar o próprio pulso.
E este não foi um caso isolado. Apenas em 2008, em todo o país, cerca de 10 milionários tiraram a própria vida devido a algum tipo de problema financeiro.
Outro caso que chamou a atenção foi a do investidor na área de imóveis, Patrick Rocca, que depois de perder milhões com a crise imobiliária, esperou até que a esposa saísse de casa para levar os filhos à escola antes de dar um tiro na cabeça.
Estas pessoas, dizem os psiquiatras, não estão acostumados com o fracasso. Não estão acostumados a estarem errados. Para eles, ou a vida é recheada de sucesso ou não vale a pena viver.
Mas esta não é a primeira vez que o país assiste a este “fenômeno”. Durante a grande depressão de 1929, com a pior crise financeira na história dos EUA, era comum ver executivos se atirando de prédios.
No pico da crise, em 1933, quando 25% dos americanos não tinham trabalho, o índice de suicídio pulou de 14 para 17 por cada 100.000 pessoas. O maior da história.
Os EUA não são como no Brasil, onde milhões de pessoas passam a vida sem economizar dinheiro para a aposentadoria e mesmo assim são capazes de sobreviver na velhice.
Com o alto custo da saúde, da universidade dos filhos e da moradia, grande parte dos norte-americanos são obrigados a depender de planos de aposentadoria complementar, geralmente investidas em bolsas de ações, para garantir uma velhice decente.
Quando um elo desta corrente se rompe, não é somente o dinheiro que se perde, mas uma vida inteira de sacrifício.
O preço que se paga por uma vida calcada somente no dinheiro e nas coisas materiais, por vezes, é alto demais.
Um abraço,