Breno da Mata Versão para impressão
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Hoje entrei em um livraria no Brasil a procura de algum livro para comprar. Não tinha nenhum em mente, mas a vasta seleção que fica à disposição deixa a tarefa - de sair com um bom exemplar na mão - muito fácil.
Tirando os grandes centros urbanos, onde as livrarias também servem como locais de encontro de amigos - ou para simplesmente tomar um café enquanto se folheia a revista semanal - geralmente estes espaços são pouco frequentados.
Brasileiro não gosta de ler.
Permaneço cerca de 40 minutos. Olho capas, leio resenhas, biografias de autores e observo o movimento ao meu redor. Se muito, cerca de cinco clientes entram porta adentro. Nem todos dispostos a levar algum título.
Lá fora, não deixo de notar o movimento nas ruas. Bares cheios, gente trançando como formigas em um movimento que parece aleatório.
Ao anoitecer, a grande maioria já tem o seu programa certo. As novelas que ocupam 90 por cento do horário nobre das emissoras. O silêncio das pessoas na sala de televisão chega a incomodar.
O único diálogo que existe vem do aparelho de TV, porém eles estão longe de retratar a vida real em que vivemos. Mas isso não importa muito.
No país do futebol e da telenovela, sobra pouco interessepara a cultura. Brasileiro gosta de Faustão, Big Brother e de assistir Coruripe x Guarani de Juazeiro. Nada contra, mas como a escolha única e exclusiva destes programas pode tornar os cidadãos pessoas melhores?
Enquanto isso, as vendas de livros continuam a retratar o descaso pela leitura de qualidade. Os números mostram que os 100 livros mais vendidos do Brasil nas primeiras 21 semanas de 2011 somaram quase 1.450 milhão de exemplares.
Nos Estados Unidos, somente o livro “Decision Point”, de George W. Bush, lançado nas últimas sete semanas de 2010, vendeu 2.653 milhões de exemplares.
Ou seja, em sete semanas, só o ex-presidente americano vendeu nos EUA quase o dobro dos 100 títulos mais comprados pelos brasileiros no Brasil em 21 semanas. E olha que ele está longe de ser um escritor de sucesso.
A educação, que tanto falta nos brasileiros, tem origem e solução. Não espere pelos governantes. Ela pode começar em casa, no bom exemplo dos pais.