Breno da Mata Versão para impressão
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A reportagem publicada na última edição sobre a entidade “Instituto Brasileiro de Inovações Sociais”, do médico holandês Nanko van Buuren, levou nossos leitores ao questionamento saudável sobre a finalidade real das entidades filantrópicas espalhadas mundo afora.
Sem dúvida alguma, muitas delas são criadas com o propósito único de prestar algum tipo de assistencialismo, como acredito ser o caso do Dr. van Buuren.
Mas como o mundo passa longe de ser perfeito, principalmente quando se trata da equação pessoas+dinheiro, muitas destas entidades nascem e existem com o único propósito de render uma vida para lá de confortável a seus criadores.
O assunto já foi até tema de filme do brilhante diretor Sérgio Bianchi. “Quanto vale ou é por quilo?” faz um raio-x da indústria que vive da exploração da miséria.
As ongs, ou o terceiro setor, na sua proposta de cobrir o vazio deixado pelo Estado, lucram alto com o trabalho que deveria beneficiar os menos favorecidos.
Aqui mesmo, na nossa comunidade, presenciamos alguns “salvadores da pátria”, como eles mesmo se colocam, usando desta mesma retórica para, no final das contas, criar os caminhos que levam ao benefício próprio.
O estado de Connecticut é um exemplo, com os seus “Centros Culturais” da vida.
Quando você ver alguma organização gastando mais na sua própria estrutura do que o valor que de fato é usado para ajudar a quem se destina, alguma coisa está errada.
Em primeiro lugar, quem de fato vive para ajudar e exerce tal trabalho seriamente, pouco anuncia, freqüentemente foge dos holofotes e vive uma vida simples.
Tome como exemplo a organização “Remote Area Medical” criada por Stan Brock para levar atendimento médico para pessoas pobres que vivem em regiões remotas, como a Floresta Amazônica.
A história dele foi tema do programa “60 Minutes” da CBS onde foi mostrado o atendimento feito para americanos que não possuem seguro médico.
Cerca de 920 pessoas foram consultadas em dois dias. Foram feitos 500 pares de óculos e 94 mamogramas.
Apesar de funcionar com um orçamento anual de $250.000 (em doações), a organização atende cerca de 17 mil pessoas por ano.
Depois da exibição do programa, a entidade recebeu cerca de 2.5 milhões de dólares em doações.
Mesmo assim, Stan Brock, que não tem família e devota sua vida à instituição, não tem salário e nem mesmo casa para morar.
Quando a reportagem foi feita, ele morava numa escola abandonada e tomava banho numa torneira de praça.
Este sim, merece nosso respeito.
Um abraço,