Breno da Mata Versão para impressão
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A cada semana o Comunidade News estampa em suas páginas diversas notícias envolvendo brasileiros nos Estados Unidos. Grande parte destas notícias são, infelizmente, más notícias. Para nós, profissionais da notícia, não existe nenhum prazer mórbido em levar aos leitores estas informações. Apenas faz parte da nossa obrigação profissional informá-los do que acontece. Porém as críticas são muitas e algumas pessoas até pensam que somos nós que procuramos por isso. Mas será que é justo culpar o mensageiro pela má notícia? Seria correto ignorar os erros ou crimes de nossos compatriotas somente para criar uma falsa imagem de uma comunidade sem problemas? Os fatos são importantes. São a base, o solo, onde lançamos os alicerces da nossa inteligência. Mas os leitores querem mais do que fatos: querem o confronto de um ser humano com eles. E o relato – literário, sim; pessoal, sim – dessa realidade primordial. Quando a história de uma brasileira agredida pelo companheiro de quarto pára nas páginas dos jornais, existe uma responsabilidade em informar o fato às pessoas. Expor as atitudes equivocadas e as conseqüências que as acompanham, deverão, em última análise, educar as pessoas evitando assim que o fato se repita. Pode ser que nada mude, mas ocultar e negligenciar certamente não irá contribuir para alguma mudança. Eu quero acreditar que as pessoas que leram tal notícia, vão compreender que existem deveres e direitos assegurados neste país. Se o leitor passar por problema semelhante e lembrar do caso exposto no jornal e tomar atitudes com base no que leu, nosso papel jornalístico foi cumprido. Assim é a imprensa. Considerada o quarto poder, um dos pilares da democracia, deve, no entender de todos, dar-nos uma visão geral de como anda o mundo à nossa volta, nosso país e o nosso quintal, além de velar pela nossa liberdade. Poucas instituições provocam tanto ódio quanto a imprensa. Balzac já assinalou no seu “Ilusões Perdidas” que não há profissional mais detestado, em segredo, que o jornalista; e que, o quanto ele é adulado é diretamente proporcional ao quanto é odiado. Talvez o maior paradoxo da profissão de jornalista, é que nem todo profissional percebeu ainda, o quanto a vaidade causa danos a si próprio, embora explore cotidianamente a vaidade dos outros. Isto porque a matéria-prima do jornalismo é a vaidade, quase tudo – senão tudo – que se faz num jornal reflete-se sobre a vaidade alheia, seja alimentando-a ou atacando-a. Espero sinceramente que todos os leitores se encaixem na segunda opção. Um grande abraço Breno da Mata Editor/Diretor