Breno da Mata Versão para impressão
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Há mais de uma década que não vejo televisão brasileira. Preferi assim pois não vejo qualidade na programação. Pior, os programas de notícia conseguem a proeza de desinformar o telespectador.
No último final de semana, a violência no Rio de Janeiro foi a notícia que mais se assistiu, ouviu e se leu no país. Até no exterior a guerra dos traficantes ganhou as páginas dos jornais.
A imagem que estes conflitos internos mostram ao mundo é de longe benéfica, principalmente com a vitória do Rio na disputa pela Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Os brasileiros, que a cada dia buscam um motivo a mais para justificar a sua decisão de nunca voltar, agradecem.
A partir de fatos como este, traçam-se comparativos com a maravilha que é viver em um país de primeiro mundo, como os Estados Unidos. Mas será que vivemos num país isento de injustiças? Penso que não. As proporções podem até ser diferentes, mas estamos longe de chamar este país de exemplo para o resto do mundo.
Ironicamente, a crítica ao fato do Rio de janeiro ter competido e vencido a cidade de Chicago na disputa pela sede dos jogos de 2016, se mostra outra contradição. Chicago é uma das cidades mais violentas dos EUA. Mês passado, o jovem Derrion Albert, de apenas 16 anos, foi morto a pauladas por uma gang de adolescentes. Ele fazia parte do “Honor Holl” da sua escola. Somente este ano 32 estudantes de escolas públicas da cidade foram assassinados.
Enquanto se critica a desigualdade social no Brasil, o The New York Times publica uma matéria onde expõe a história de Sheri West, avô de seis netos, que passou de ativista comunitária em favor dos sem-teto para ela própria uma vítima da falta de moradia. Após perder a casa para o banco, Sheri West morou de favor com amigos por um ano, depois de ser obrigada a dormir dentro do próprio carro por algumas noites.
Isso bem aqui, no país mais rico do mundo. E ela não é nenhuma exceção. Milhares de norte-americanos estão vivendo em abrigos, muitos por razões semelhantes.
Infelizmente todos são vítimas de um sistema capitalista que não tem compaixão de ninguém.
Um abraço.