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Na última semana, durante o funeral das vítimas do ataque em Tucson, Arizona, um professor de Tradição Indígena e Mexicana de Yaqui, concedeu a bênção final aos mortos. O fato mostrou uma diversidade rica e o respeito à tolerância dos seus cidadãos.
Infelizmente existe outro Arizona. Um onde o estado promove a discórdia e a intolerância com frequência. Isso ficou claro quando a lei de imigração - que dá poderes aos policiais locais de questionar e prender pessoas suspeitas de estarem no país sem documentos - foi aprovada.
Mas outro fato está deixando essa discriminação e intolerância ainda mais evidente. Uma nova lei educacional pretende injetar medo diretamente nas salas de aula através da promoção ao pensamento nativista. A lei, que teve efeito no último dia 31 de dezembro, bane qualquer curso ou disciplina que advogue solidariedade étnica, ao invés de tratar os alunos como indivíduos.
Com essa prerrogativa, o advogado geral do estado, Tom Horne, imediatamente usou a lei (que ele mesmo redigiu) para declarar ilegais os programas de estudo Norte-mexicano nas escolas de Tucson. Tom Horne acusa este programa de fazer uma lavagem cerebral nos estudantes latinos através do ensino da “ética chauvinista”, porque o
programa usa autores críticos a história da relação dos Estados Unidos com a América Latina e o tratamento dado ao latino no passado.
O mais interessante é que programas similares para os negros, asiáticos e nativos não foram cortados. Um dos livros afetados pela nova lei é “Pedagogia do Oprimido” do brasileiro Paulo Freire, um clássico da
literatura educacional. As escolas, que garantem que os programas ajudam os estudantes a entender melhor a história e seu lugar no mundo,
correm o risco de terem financiamentos estaduais suspensos, caso não parem com os estudos. Mais de 11 professores já entraram com processo
na justiça contra a nova lei.
O estado do Arizona vem provando possuir uma ala ultraconservadora
e retrógrada. Estas são as mesmas pessoas que, durante mais de uma década,se recusaram a reconhecer o feriado nacional de Martin Luther King. A intolerância contra outras etnias e culturas é fato recorrente
na história do país.
De tempos em tempos ela aflora e ganha a adesão de pessoas que, presas ao mundo limitado em que vivem, acabam sendo facilmente influenciadas pelas mentes mais perturbadas que o país conseguiu produzir.