Breno da Mata Versão para impressão
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Não é surpresa para os brasileiros a notícia de que o número de imigrantes retornando ao Brasil superou aqueles que deixam o país. Mas talvez você não saiba que, no primeiro trimestre deste ano, o número de trabalhadores estrangeiros no Brasil aumentou 16%, segundo dados do Ministério do Trabalho. Foram 11.530 autorizações de trabalho, um recorde para o período.
Se o ritmo se mantiver até o final do ano, 2010 terá um recorde histórico.
Encabeçando a lista dos países que mais requereram autorização estão os Estados Unidos. Isso mesmo. O país que tanto vem expulsando de suas terras os brasileiros, são os que mais enviam trabalhadores para o Brasil.
A notícia é, no mínimo, irônica na medida que o governo brasileiro admite a necessidade da contratação de mão de obra estrangeira em áreas onde falta o profissional brasileiro. Mas a recíproca não é verdadeira. A constante e brutal demanda dos Estados Unidos pelo trabalhador braçal continua a ser ignorada.
Como consequência, as cotas de vistos de trabalho e green card para estes trabalhadores continuam fora da realidade, forçando uma grande parte destas pessoas a entrar no país pelas vias paralelas.
Há muito tempo que a questão da imigração latina deixou o campo da discussão técnica para dar lugar ao debate político/sociológico. O argumento dos que são contra conceder qualquer benefício aos imigrantes indocumentados, não se baseia em números e estatísticas - estas que frequentemente provam os benefícios da presença dos imigrantes para a economia do país - mas sim em sentimentos de cunho racial.
Um recente estudo conduzido pelo Instituto de Políticas Migratórias concluiu que os imigrantes criam tantos empregos quanto eles ocupam, talvez mais. Além disso, os imigrantes compram coisas fazendo a economia maior do que seria sem eles.
Ainda estamos longe de ter peso político para negociar de igual para igual com os EUA em termos imigratórios, como acontece atualmente com o México, mas estamos a caminho. O mundo já reconheceu o peso econômico que o Brasil exerce atualmente na economia mundial. Será uma questão de tempo e vontade política para que o tom da converse mude.
Até lá, seguimos recebendo os norte-americanos de abraços abertos, e não com leis racistas como somos tratados aqui.
Um abraço,