Breno da Mata Versão para impressão
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Após um longo, cansativo e desgastante ano de batalha do governo Obama para aprovar a reforma da saúde, fica a questão: será que resta algum fôlego político para a reforma da imigração?
O Senado norte-americano aprovou a proposta sem um único voto republicano. Foram 219 a favor e 212 contra, 34 dos quais democrata.
A questão imigratória é ainda mais polêmica e causa mais divisão do que a saúde. Uma parte dos democratas é contra a idéia de conceder algum tipo de benefício aos imigrantes indocumentados. Entre os republicanos, a maioria esmagadora é radicalmente contra.
Costurar uma aliança bipartidária necessária para aprovar tal reforma poderia causar uma dor de cabeça tão grande ou ainda maior do que a provocada pela reforma da saúde. Mas é este o dilema em que se encontra o presidente. Sem aprovar a reforma, ele corre o sério risco de perder o voto latino, que se provou essencial para a sua eleição em 2008.
Ao mesmo tempo, é cada vez mais público e notório a necessidade de conceder aos imigrantes, que já vivem no país, uma forma de legalização. Seja ela qual for.
Um recente estudo do Center for American Progress mostrou que o país gastaria algo como 285 bilhões de dólares em cinco anos para localizar, prender e deportar os estimados 11 milhões de imigrantes indocumentados. Além disso, a economia deixaria de receber 2.5 trilhões de dólares em 10 anos, caso promovesse a reforma.
Pesquisas de opinião comprovam que a maior parte dos norte-americanos é a favor de algum tipo de reforma, desde que fosse aliada ao reforço das fronteiras e uma maior fiscalização das empresas na contratação de seus funcionários.
No último 17 de março, o país parou para comemorar beber e dançar o Saint Patrick’s Day. Este também seria um ótimo momento para lembrar aos norte-americanos que os irlandeses também foram tão discriminados, em um passado recente, quanto os latinos estão sendo atualmente.
As placas nas portas das lojas e fábricas, com as iniciais NINA (No Irish Need Apply), parece ter caído no esquecimento de muitas pessoas que hoje pedem a deportação dos latinos.
Esta é a hipocrisia daqueles que querem negar aos outros aquilo que um dia eles também não tiveram.
Um abraço,