Breno da Mata Versão para impressão
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Quem imaginaria que o país mais rico e poderoso do mundo chegaria ao ponto que está hoje?
Perto de declarar calote da dívida, um acordo entre democratas e republicanos terá um efeito tão devastador na vida dos norte-americanos (e em todos que aqui vivem), quanto o calote em si.
Obama pegou um país à beira do colapso, devido as políticas republicanas da era Bush. Uma guerra interminável que consome bilhões de dólares por mês. Um mercado financeiro arruinado e uma taxa de desemprego de quase 10% devido ao estouro da bolha imobiliária.
Soma-se a isso a perseguição política dos extremistas do Tea Party, que querem ver o circo pegando fogo, na intenção única de tirar do presidente qualquer chance de reeleição.
O acordo no qual os congressistas concordaram em assinar, só não é pior do que acordo nenhum. Os 2.5 trilhões de dólares em cortes nos próximos 10 anos irá ter um efeito devastador na vida da população, com exceção dos ricos.
A boa notícia do acordo se compara com o suicida que resolve sair da marquise, após ameaçar se jogar do prédio. No entanto, as circunstâncias que o fizeram chegar a este ponto continuam lá.
O corte de gastos, que irá atingir serviços sociais, condenará o país a um período ainda mais longo de aperto financeiro, punindo aqueles que nunca viveram o boom econômico. São pessoas que pagam suas contas, não com dividendos de aplicações financeiras exóticas, mas com seu contra-cheque. São pessoas que, às vezes, necessitam de ajuda do governo para a saúde, moradia e cesta básica ou um trabalhador que precisa usar o seguro-desemprego enquanto procura outro emprego.
O país precisa de política que volte aos tempos em que criava-se emprego aos milhões, em uma economia de verdade e não na fantasia dos tempos pré-crise.
Mas a realidade pesa nas nossas costas. Não temos nada disso. Estamos nas mãos de extremistas que sabotam o processo político, deixando a recuperação ainda mais difícil.
Os republicanos acreditam na vitória eleitoral com a “falha” do atual presidente. Obama peca em fazer o jogo daqueles que fizeram as mesmas políticas da era Bush, que levou o país para a beira do despenhadeiro que se encontra hoje.
O país pode ter saído da sacada e entrado no prédio, mas nós nos encontramos olhando para um futuro sem esperança, senão devastador.
Um abraço,