Breno da Mata Versão para impressão
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A despeito da vitória de Barack Obama para a Casa Branca, os imigrantes indocumentados poderão estar sofrendo um novo golpe contra uma abertura imigratória de amplo alcance.
A crise econômica.
Assim como aconteceu no pós-11 de setembro, quando toda a atenção negativa se voltou aos imigrantes, os índices recordes de desemprego poderão postergar novamente uma mudança tão esperada por milhões de pessoas.
O tema imigração tem gerado tanta discussão acalorada nos Estados Unidos que durante os últimos seis meses da corrida presidencial o assunto simplesmente foi ignorado por ambos os candidatos.
A recusa do senado em aprovar a mudança provocou a mais danosa política de endurecimento contra os imigrantes indocumentados nos últimos 10 anos. Foram cerca de 1 milhão de detidos.
O que a administração Bush chamou de uma das conquistas do seu governo, Obama chama de falida.
Mesmo que uma reforma não aconteça a curto prazo, as entidades de defesa dos imigrantes pedem que a nova administração interrompa imediatamente as batidas e prisões.
Caso atenda as reivindicações, Obama já estará dando um passo importante para aliviar a pressão sobre aqueles que esperam por uma reforma.
Caso contrário, o país continuará a observar histórias absurdas como a relatada pelo New York Times do último sábado (8), que conta a história de Antonio Torres que foi “deportado” pelo hospital de Phoenix, Texas, onde estava internado em coma depois de sofrer um grave acidente de carro.
O detalhe desta história é que Antonio é um imigrante legal no país.
Casos como este, onde a idéia preconcebida de que todo imigrante é, a princípio, indocumentado, devem ser eliminados do cotidiano do país, a começar pela imprensa que insiste em retratá-lo como tal.
Entretanto, passar uma reforma ainda irá depender do senado, que mesmo sendo de maioria democrata, poderá deixar de lado temas polêmicos para ganhar o apoio dos republicanos em assuntos de maior interesse do país, na visão deles.
De resto, somente podemos esperar que a sensibilidade do novo presidente seja ampla o suficiente para não deixar de lado 11 milhões de vidas.
Um abraço,