De agosto próximo até maio de 2011, o violonista Joe Carter realiza uma série de shows e workshops no estado de Connecticut. Especializado em jazz brasileiro, ele já se apresentou no Rio de Janeiro e em Recife (PE). O CD “Um Abraço No Rio” foi gravado na capital carioca.
A agenda para Connecticut compreende cidades como Bethel, Falls Village, Windsor, Fairfield e Hartford. Além de músico, Carter leciona na Sacred Heart University em Fairfield e no Hartford Conservatory.
Em entrevista por telefone, o americano explicou porque a conexão com a música brasileira é tão forte. Através da amizade com Luis Eça, iniciada na primeira vez em que esteve no Rio, em 1988, teve contato com a música brasileira. “Comecei a escutar mais e a tocar mais”, disse ele, que voltou ao Rio de Janeiro outras vezes.
Segundo ele, é a primeira vez que o Music Mountain, local da apresentação em Falls Village, terá música brasileira. “Estou animado com isso”. David Finck e Zé Maurício tocam com Carter neste show, no dia 28 de agosto.
Como todo bom conhecedor de música brasileira, Carter aprecia a bossa nova, e não esquece de nomes como Tom Jobim e João Gilberto. Mas ele também conhece Noel Rosa e Pixinguinha. “Quando estou tocando música brasileira, estou também improvisando como em uma canção de jazz”.
Sobre “Um Abraço No Rio”, Carter disse que foi uma gravação muito especial. Nas duas semanas em que esteve no Recife, há 15 anos, conheceu o baião e ficou encantado com o ritmo de Luiz Gonzaga.
Música que agrada a todos
As músicas dos CDs de Joe Carter trazem grandes sucessos como “Tristeza de Nós Dois”, gravada por Nara Leão, “Tarde em Itapoã”, de Vinicius de Moraes e “Lamento no Morro”, de Vinicius e Jobim. Em 1981, o músico criou o selo Empathy Records, possibilitando a ele próprio e a outros artistas a gravação de ábuns.
Na Sacred Heart University, Carter ensina “A História do Jazz” e “A Música da América Latina”, esta última focalizada nas músicas brasileira e cubana. “Escutamos choro, samba, bossa nova, MPB. E apresento a eles [os alunos] músicas que normalmente não escutariam, como Djavan e Elis Regina”. Segundo o professor, o som agrada aos alunos.
Ainda de acordo com Carter, ele nunca ouviu nenhum dos estudantes dizer que não gosta de música brasileira. Apesar de ter morrido há muitos anos, Noel Rosa é um dos compositores que desperta o interesse dos alunos. “Ainda tem aquele balanço, aquele suingue que a música brasileira tem. Eles parecem gostar”. O músico pretende ir novamente ao Brasil no ano que vem.
A apresentação de Joe Carter em Bethel será no dia 12 de setembro, quando ele estará acompanhado de Jeff Suller e Tom Melito.