Há quatro anos, o cantor e compositor David Ramos vem deixando mais alegre a cena musical de Boston (MA). Com shows agendados no Brasil e Europa, ele escreveu recentemente o primeiro livro, baseado em diversas músicas.
Paulista da capital, o músico já trabalhou como professor da rede pública em São Paulo, Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG), quando lecionou para crianças e capacitou professores para a musicalização infantil.
David encontrou uma brecha em uma gravação para conceder entrevista via telefone. Contou que a trajetória musical, iniciada no Brasil, ganhou formação no Instituto Souza Lima e na Universidade Livre de Música, esta última ligada ao Centro Tom Jobim. Antes de fixar residência nos EUA, realizou shows na Universidade de Syracuse (NY), em Connecticut e em Massachusetts, estado onde participou do festival “Wake Up the Earth”.
A vinda definitiva para o país se deu há quatro anos, com o firme propósito de desenvolver um trabalho de formação na área da música popular brasileira. “Principalmente na raiz da bossa nova e do samba”, disse ele, complementando que os americanos queriam saber mais sobre a estrutura dos dois ritmos.
Com amigos do Berklee College of Music, tem realizado shows e workshops, voltados para estudantes de música. O livro de crônicas “O Que Eu Sentiria Se Eu Não Sentisse O Que Sinto” está somente aguardando uma editora, para publicação no Brasil no final do ano. A obra será também traduzida para o inglês e comercializada nos EUA.
Segundo David, o livro foi inspirado em música. “A música é meu laboratório de pesquisa”. Canções famosas como “Você Foi Saindo de Mim”, de Chico Buarque, e “Eu Não Sei Parar de Te Olhar”, de Ana Carolina, serviram de base para algumas crônicas.
Ainda no Brasil, David decidiu estudar filosofia e teologia. Tornou-se então pastor de igrejas como a Batista e a Presbiteriana, e trabalhou em comunidades ecumênicas e independentes. Foi também articulista em organizações nacionais e internacionais, escrevendo matérias para revistas e jornais.
Cantando a vida
Tantas atividades nunca desvincularam David de sua verdadeira vocação. “A música significa o ar que eu respiro. É a minha inspiração, é a forma como consigo expressar para as pessoas o que é a minha mensagem, aquilo que sou, que penso, aquilo que espero, aquilo que não gosto, que não quero. A música é a minha voz”.
O recado é dado através do samba e da música brasileira em geral. As apresentações ganham músicas próprias e de Djavan, Tim Maia, Seu Jorge e de compositores não tão conhecidos, que são amigos de David. O músico tem dois CDs e um DVD de músicas religiosas.
No ano que vem, sai do forno um CD que fala muito sobre a união das artes. “Dança, canto, o instrumentista, também misturado com o tema que faz parte da minha trajetória, que é a negritude”. A questão envolvendo as comunidades negras do mundo inteiro preocupa o músico, que toca violão, contrabaixo, piano e bateria.
O trabalho de David se intensifica a partir de setembro, quando participa do Festival da Independência do Brasil em Boston. Em outubro, o artista embarca para Portugal, e no mês seguinte se apresenta na África e no Brasil.
O coração tão brasileiro do cantor não pensa em voltar para o país de origem, por uma razão especial. “Sinto prazer em cantar em diferentes culturas, onde as pessoas talvez nem entendam o português, mas vão se interessar pela minha música”. Em Boston e arredores, David canta acompanhado da banda Samba No Pé e forma o trio de mesmo nome.
Uma das atividades desenvolvidas atualmente por David é a composição de músicas para crianças. As letras são feitas em português ou inglês, de acordo com o pedido.