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Divulgação
Produção de gravuras é a técnica preferida da artista plástica Clara Boherer.
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Gravuras e fotografias digitais que resultam nas mais belas imagens. No universo de Clara Bohrer, as duas artes se fundem e formam um mágico conjunto de minúcias e belezas. Nem só as imagens concretas são retratadas pela artista, sentimentos como a saudade estão bem presentes nas fotos e telas.
A brasileira não consegue esconder a preferência pela produção de gravuras. A técnica encanta Clara Bohrer desde o tempo em que frequentava a faculdade FEEVALE em Novo Hamburgo (RS), de onde é natural. Ela jamais esqueceu as aulas da artista plástica Vera Chaves Barcellos. “Realmente gosto de gravuras”, confidenciou ela.
O uso da técnica “solarplate printmaking”, inventada pelo artista americano Dan Welden, atraiu mais ainda a artista gaúcha. Sem o uso de solventes e ácidos, a nova técnica poupa a saúde e ainda preserva o meio ambiente.
Muito mais do que produzir gravuras, Clara expressa em palavras tudo o que sente ao pintar uma matriz em madeira, plástico ou metal e prensá-la. “É meio mágico, fascinante”. Nem os eventuais erros que podem levar o artista a produzir o trabalho novamente desanimam a artista. “À medida que trabalhamos, conseguimos evitar os erros”.
Pode-se dizer que Clara une o útil ao agradável, quando se lança também no mundo da fotografia. “Uma coisa ajuda a outra”, explicou, sobre os dois ramos artísticos. O velho conhecido caderno de rascunhos de qualquer artista deu lugar temporariamente para a câmera. “Acabei gostando do resultado”.
A maior parte dos trabalhos dela é com fotografia digital, mas ela se permite colocar junto texturas de renda, colagem e até a delicada organza.
Produção intensificada
Tendo os Estados Unidos como morada desde 1988, Clara deu uma pausa forçada na vida americana e acompanhou o marido até a China, por conta do trabalho dele. Lá aproveitou para registrar as mais belas e exóticas imagens, vistas no livro “A Glimpse of China”. Outra grande experiência foi na África do Sul, onde foi a convite de uma professora que tem um estúdio de gravura no país.
O retorno da terra da Dinastia Ming foi em grande estilo. Clara está voltando a sobreviver somente da arte. “Estou me sentindo equilibrada”. O resultado pode ser visto atualmente na exposição em homenagem aos 15 anos do Grupo Mulher Brasileira, no Museu de Somerville, Massachusetts. Segundo Clara, nada melhor do que estar em meio a técnicas diversas numa exibição que tem a cara do Brasil.
Feliz com a nova fase e a vida que tem aqui, Clara não esconde que sente saudades de nosso país. “Acho que acompanha todo imigrante”. Os trabalhos “Cartas Rendeiras” e “Waiting” denunciam este sentimento. No primeiro, ela mostra uma pequena carta com a palavra saudade, a qual só existe na língua portuguesa. No segundo trabalho, alguém espera a carta chegar dos Estados Unidos.
Apesar desta saudade, Clara confessa que está por inteira no país, e procura passar por cima de todos os obstáculos. Encarando a saudade como um sentimento inerente ao imigrante, a brasileira se pergunta. “Como seria se eu voltasse?”. Enquanto busca a resposta, mergulha no fascínio de uma produção intensa, como se fosse o último dos trabalhos.