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No Rio de Janeiro, Marilynn Mair segura o seu bandolim. Ao fundo a sua banda formada por músicos brasileiros.Divulgação
Marilynn com o músico Joel Nascimento.
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Uma americana que tem um paixão toda especial pelo som que sai do bandolim. É o que se pode dizer de Marilynn Mair, verdadeira embaixatriz do chorinho e divulgadora do ritmo. Alternando a casa entre os Estados Unidos e o Rio de Janeiro, a bandolinista segue colecionando elogios e é sucesso de público e de crítica.
A entrevista foi realizada exatos cinco dias antes da bandolinista embarcar para a capital carioca. O objetivo é divulgar o mais recente CD, “Meu Bandolim”, e também rever velhos amigos, com os quais vai tocar informalmente. Marilynn vai ainda aproveitar a oportunidade para rever o professor, o grande Joel Nascimento.
Mas a visita tem outro motivo bastante importante. Com Paulo Sá, outro grande nome do bandolim, Marilynn está escrevendo um livro sobre o choro. Segundo ela, o projeto ainda está em andamento, e deve ser bilingue. A obra é direcionada a todos aqueles que querem aprender a tocar choro.
Para Marilynn, é muito importante manter a identidade do choro. Desde a primeira vez que esteve no Rio, em 2005, a musicista se apaixonou pelo estilo. Com o livro, pretende ajudar a divulgar o ritmo bem brasileiro.
Professora de música na Roger Williams University em Bristol, Rhode Island, Marilynn Mair fundou e dirige o grupo “Enigmática”, um octeto especializado em música brasileira, barroca e contemporânea. Toca em duo com Adam Larrabee e com o conjunto carioca “Água no Feijão”, e gravou um total de 11 CDs.
Doce vício musical
Os três meses passados no Rio no ano de 2007 tornaram-se uma espécie de rotina com o passar dos anos. Perguntada se tem vontade de morar lá, respondeu aos risos. “Minha mãe disse ‘você não pode morar lá até eu morrer’”, disse ela, que iniciou a carreira com o estilo clássico. Ao ver um livro sobre choro, foi literalmente fisgada. “Descrevo para as pessoas que é como comer chocolate: uma vez que você começa a tocar, não para”.
No Brasil, já se apresentou em museus, no conversatório, em Petrópolis e na Sala Cecília Meirelles. Confidenciou que quer tocar choro ‘como os brasileiros’. Entre as inspirações estão Joel Nascimento, Paulo Sá, Luiz Simas e Luciana Rabello. Gosta de ouvir Yamandú Costa e todos aqueles que tocam choro. É autora do livro The Complete Mandolinist – A Comprehensive Method.
Com muita simplicidade, Marilynn credita tudo o que sabe sobre choro ao mestre Joel Nascimento. Para se aperfeiçoar, foi até a Escola Portátil de Música, comandada por Luciana Rabello e Maurício Carrilho. A participação no Água no Feijão rende uma pergunta interessante por parte dos americanos. “Você tem uma banda chamada ‘feijão de água?’”.
A gostosa risada revela a verdadeira paixão da americana pela música.
Se depender dela, o choro será cada vez mais divulgado pelo mundo inteiro. “Só quero que as pessoas conheçam”. Segundo Marilynn, não basta somente tocar o ritmo, mas sim entendê-lo. E isto ela faz como ninguém.
A próxima apresentação de Marylinn Mair está agendada para o dia 7de fevereiro de 2010 no Perishable Theater em Providence. Mais informações sobre a carreira da bandolinista no website oficial www.marilynnmair.com.