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Divulgação
O norte-americano Nasar Abadey toca sua bateria com os ritmos brasileiros.
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A batucada brasileira já é parte da música do americano Nasar Abadey. Com a Supernova, banda da qual é líder, ele segue em setembro próximo para vários países da África Oriental.
A viagem faz parte do “The 2010 Rhythm Road: American Music Abroad”, um programa promovido pelo Setor Educacional e Cultural do Departamento de Estado Americano e pelo Jazz at Lincoln Center em Nova Iorque. Nasar Abadey and Supernova se apresentam em Ruanda, Uganda, Etiópia, Zâmbia e Moçambique.
Dois dias antes da entrevista, Nasar estava estudando batucada, ritmo que está encantando o músico. Aproveitou para citar os favoritos da música popular brasileira: Milton Nascimento, Naná Vasconcelos e Hermeto Pascoal. “Adoro o Hermeto, porque ele é o pai de muitos músicos brasileiros dos dias modernos”, disse.
As apresentações na África casam perfeitamente com o momento atual de Nasar. O músico afirmou que tem estudado a correlação entre a música africana e a brasileira, e já encontrou bastante similaridades entre as duas culturas.
Nasar confidenciou que o interesse pela música brasileira existe há muitos anos. Foi na adolescência que escutou bossa nova pela primeira vez. Começou então a escutar Tom Jobim. Ao descobrir a autêntica música brasileira, o músico descobriu também que nosso ritmo estava se misturando à música americana e à música do mundo.
“Agora que tenho meu próprio grupo e decido sobre as músicas, posso estudar mais os conceitos brasileiros e incorporá-los à minha música”.
Brasil e berimbau
À frente da Supernova, Nasar tem a oportunidade de explorar não só a música brasileira, mas também ritmos afro-americanos, reggae, bebop, música afro-cubana, entre outros. O trabalho dele é conhecido também na Europa e no Caribe. Em 2000, lançou o primeiro CD, “Mirage”. Já tocou com grandes nomes como Dizzy Gillepsie, Bobby Hutcherson e Pharoah Sanders, este último vencedor do Grammy de Melhor Saxofonista de Jazz Americano.
A música de Nasar é descrita por ele próprio como “MULTI-D”, sigla para multi-dimensional e multi-direcional. De acordo com a densidade e a vibração, as muitas direções e dimensões mudam. “Você ouve muito isto na música brasileira e na música mundial. Gosto de incorporar este tipo de coisa na minha música”.
O nome Supernova foi inspirado num álbum de mesmo nome de Wayne Shorter, músico que tocou com Miles Davis. O disco contém um arranjo de “Dindi”, do maestro Tom Jobim. Supernova também é o nome dado aos corpos celestes que surgem após as explosões de estrelas. Nasar gosta de imaginar que sua música continua no ar, mesmo quando ela para de tocar.
Natural de Pittsburgh (PA) e morando em Washington D.C., Nasar adotou o nome árabe em 1969, quando começou a estudar o islamismo. “Desde então, uso o nome profissionalmente”. Por viajar para várias partes do mundo e por ser descendente de imigrantes, Nasar se auto-define como um cidadão do mundo. “Sou um cidadão americano porque nasci aqui, mas também sinto que sou um produto do planeta inteiro. Minha responsabilidade é trazer amor e uma linda e maravilhosa energia para este planeta”.
Quando perguntado se já esteve no Brasil, Nasar se mostrou ansioso. “Não posso esperar para ir lá. Sei que vai acontecer, porque tenho esta intenção”. Dono de um berimbau e de uma cuíca, dedicou inteiramente uma única faixa de “Mirage” ao berimbau. “Uso o berimbau para meditação”.