A pianista brasileira Priscilla Dantas, 17, encantou mais uma vez o público com uma apresentação no dia 22 de agosto em Eugene (OR). Na mesma cidade, ela vai passar o ano letivo como intercambista na Churchill High School. A artista aproveita também para se aperfeiçoar na arte de tocar piano.
A jovem chegou no dia 13 de agosto e vai intercalar o término do segundo grau com aulas totalmente grátis com o também brasileiro Alexandre Dossin, Professor Associado de Piano da Universidade de Oregon.
Da casa de Bob Crites, fundador e presidente da Students Helping Street Kids Internationl (SHSKI), Priscilla falou ao Comunidade News sobre a atual fase. “Recebi muito apoio dos meus pais e de todo o mundo aqui. Foi uma coisa muito esperada e planejada. Espero que eu dê o meu melhor”, disse ela, que foi aplaudida de pé no concerto na Westminster Presbyterian Church.
“É tão gostoso ver as pessoas emocionadas com o trabalho da gente. Tinha pessoas com os olhos cheios de lágrimas, me dando os parabéns. Eu gosto muito disso”.
Antes de vir para os Estados Unidos, a pianista realizou um recital no Teatro Santa Isabel em Recife (PE), de onde é natural, e gravou um CD, ainda em fase de finalização. O álbum deve ser vendido pela própria Priscilla, quando ela fizer recitais aqui. No repertório, uma grande obra de Schumann, música brasileira e música contemporânea.
No início de setembro, a brasileira vai para a casa da nova família hospedeira, onde falará inglês o tempo inteiro. “Ainda bem que não estou com medo, estou ansiosa, animada”.
Sucessão de vitórias
As conquistas de Priscilla Dantas são graças ao empenho dela própria e ao apoio da SHSKI, organização do estado de Maryland que ajuda crianças carentes no Brasil. De origem humilde, a ex-moradora da periferia de Recife conseguiu lições de piano grátis no conservatório onde o pai trabalhava como vigilante. A evolução musical vem sendo acompanhada de perto pelo Professor Dossin.
Nos dias 5 e 11 de setembro ela faz recitais no Willamette Oaks Retirement Center (Eugene), e no Reustle Prayer Rock Vineyard (Roseburg), às 2pm e 5h30pm, respectivamente. No repertório, não faltará música brasileira. “Inclusive é uma música brasileira bem contemporânea, bem ousada”. Segundo ela, a Suite número 3 chamada “Jongo”, de Lorenzo Fernandez “deixou o público de cabelo em pé”, quando tocada no último concerto.
Divulgar a música brasileira, segundo Priscilla, é um prazer e um dever. “É tão bom para mim, que estou mostrando minha cultura que adoro, e também é ótimo para eles”. O trabalho já começa na high school, quando Priscilla falará do Brasil. “Não só da música como também da cultura em geral, arte, pintura, comida, dos hábitos do dia a dia”.
Bagagem ela tem de sobra, visto que a capital de Pernambuco é um grande berço cultural. “Tem uma diversidade musical muito grande, e em tudo. Comidas, costumes, pessoas de muitas nacionalidades passaram por lá no início”. Para trás, ela deixou os corações dos pais bastante apertados. Depois que terminar o segundo grau, ela mata as saudades com a família e volta para cursar a faculdade de música.