Um encontro de gênios da música erudita brasileira acontece no domingo (19) no Lincoln Center em Nova Iorque. Acompanhado do pianista Arthur Moreira Lima, o Maestro João Carlos Martins traz a sua Bachiana Filarmônica. O encontro dos dois ícones musicais promete emocionar o público.
Considerado grande especialista do compositor alemão Johan Sebastian Bach, João Carlos Martins é conhecido pelo talento e pela história de superação. Obrigado a deixar o piano por conta de problemas de saúde, não se deixou abater e estudou regência, aos 64 anos de idade, para poder ficar perto da música, sua grande paixão.
João Carlos Martins concedeu entrevista via e-mail, enquanto viajava a trabalho. Contou que se apresentou com Arthur Moreira Lima em Nova Iorque, há 30 anos, e também no Brasil, em concertos a dois pianos. “Nestes concertos nós intercalávamos prelúdios de BACH e CHOPIN e por duas vezes o Lincoln Center ficou lotado”, disse ele.
No concerto do dia 19, o maestro vai mostrar ao público porque é um verdadeiro exemplo de força de vontade. “Apesar de somente poder usar três ou quatro dedos, mas a missão do artista é dividir a emoção com o público”.
O repertório promete. Os 72 componentes da Bachiana Filarmônica interpretarão obras de Bach, do polonês Frédéric Chopin e do argentino Alberto Ginastera. “E do maior compositor das Américas, Villa-Lobos, e ao final uma surpresa”. O encontro dos dois grandes músicos brasileiros terá um sabor todo especial. “Este concerto marca os 70 anos de idade de dois cancerianos, o próprio Arthur e eu”.
Exemplo emocionante
Natural de São Paulo, João Carlos Martins começou a estudar piano aos 8 anos de idade. Aos 13 anos iniciava a carreira nacional, e com apenas 18 anos, a internacional. Estreou em Nova Iorque, mais especificamente no Carnegie Hall, aos 20 anos. Depois de perder a mobilidade dos dedos numa queda, jogando futebol, e de ter todo o lado direito comprometido por conta de uma pancada na cabeça, durante um assalto, o então pianista ouviu dos médicos que teria um nervo da mão esquerda cortado, e que nunca mais tocaria piano.
Persistente e apaixonado pela música, Martins começa uma carreira com a mão esquerda, a qual é eliminada por conta de um tumor. Formou então a Bachiana Filarmônica e emocionou mais uma vez o Carnegie Hall. “Começo o Hino Nacional. Quando acabou o hino... eu viro para a platéia e vejo, lá em cima, as bandeiras do Brasil. Eu agradeci a Deus e ao fato de ser brasileiro e de estar conseguindo fazer música e levar música até o fim da minha vida”, disse ele, em um depoimento emocionante ao final de uma novela global.
Além da grande paixão pela música, o maestro tem outro grande motivo para continuar. “Através da música realizo um trabalho intenso de inclusão social nas periferias de São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, e esse trabalho me emociona tanto quanto entrar no palco de um grande teatro”.
João Carlos Martins sente orgulho ao perceber que a música está ganhando espaço em continentes como a Ásia, por exemplo. “Ultrapassando inclusive o esporte para formar cidadãos, para a inclusão social, e para combater a criminalidade entre os jovens”. Sobre a música erudita no Brasil, o maestro disse que “se todos os artistas clássicos fizerem como o Arthur e eu, que vamos às comunidades mais carentes, ela certamente estaria em outro patamar”.
O concerto de João Carlos Martins e Arthur Moreira Lima no Lincoln Center acontece às 6pm. Os ingressos custam de $10 a $25 e podem ser adquiridos pelo telefone (212) 875-5030 ou pelo website www.lincolncenter.org.