De 6 a 10 de janeiro últimos o Miami Beach Convention Center abrigou galerias de arte do mundo inteiro para a Miami International Art Fair 2010 (MIA). O Brasil esteve muito bem representado por artistas do Sciacco Studio, escritório de arte sediado em São Paulo com representação em Nova Iorque.
Organizada por David e Lee Ann Lester, a feira foi aberta oficialmente no dia 6, na noite beneficente “Loving Art, Giving Life”, direcionada a convidados e colecionadores. O estande de número 118 teve trabalhos das escultoras Alina Fonteneau, Vera Lília e Virgínia Sé, das pintoras Bel Miller, Nelise Ometto, Rita Biaggi e Sônia Mara Mello, e dos fotógrafos Daniel Fontoura, João Ribeiro e Magno Mesquita.
Por telefone ao Comunidade News, Alina fez uma pausa na montagem do estande para conceder entrevista. Cubana de nascimento e apaixonada confessa pelo Brasil, onde está há 11 anos, a artista considera a feira uma oportunidade muito interessante de mostrar o que o artista brasileiro produz. “O Brasil é rico em cultura e arte”, disse ela, que expôs em Paris em outubro último.
Segundo a artista, a feira trouxe também a chance de conhecer outros artistas e de fazer novos contatos. Alina, que tem nacionalidade americana e descendência francesa, carrega nas obras todas as características dos artistas nascidos no país tropical. “Meu trabalho é muito brasileiro, acham que eu sou brasileira”.
Com uma colorida peça, a artista conseguiu lembrar as tradicionais esculturas nordestinas. As obras dela são caracterizadas pelo uso da fibra de vidro, concreto e bronze. Alina não poupou elogios à escultura em acrílico de Virgínia Sé. A artista, natural da Ilha da Madeira mas brasileira de coração, transformou o alumínio e o bronze numa peça mais do que contemporânea.
Formas e cores ajudam a expandir horizontes
Bel Miller trouxe uma colagem com um rosto feminino. O tema mulher é um dos preferidos da artista. Para contrastar com o sol de Miami, Daniel Fontoura fotografou uma imagem chuvosa. A obra de João Ribeiro é um misto de imagem real com fantasia, e a escultura de Vera Lília lembra a vegetação brasileira, mostrando sombreados e perspectivas.
Para Sônia Mello, o importante é brincar com formas e cores, características também presentes na obra de Nelise Ometto, onde a geometria marca presença com formas místicas. A câmara de Magno Mesquita captou somente o necessário e mostrou o brilho intenso da imagem. E a tela de Rita Biaggi espalhou traços pelos quatro cantos, revelando formas ora sutis, ora visíveis a olho nu.
A conhecida criatividade do artista brasileiro tornou o estande n. 118 ainda mais atrativo para compradores, colecionadores e outros artistas. Segundo Alina, a presença de galerias da Itália, Ásia e de países árabes trouxe grandes chances de outras exposições. Nada melhor para ajudar a artista a realizar um sonho. “Ter mais alcance internacional”.
Segundo Daniel Sciacco, do Sciacco Studio, é a primeira edição da feira com o nome MIA. De 1991 a 1998, o evento foi chamado de Art Miami e marcou a realização da primeira feira de arte na temporada de inverno na capital da Flórida. Na opinião dele, não foi só o fato da Sciacco ser a única galeria brasileira que ajudou na divulgação de nossa arte. A colorida arte brasileira foi apreciada por compradores de Miami, além de ter sido vista por artistas da Argentina. Segundo Daniel, a proximidade com o Brasil pode ajudar nossos artistas a conquistarem novos horizontes.