A paixão pela profissão, associada à tecnologia e ao “jeitinho brasileiro” fizeram do fotógrafo brasileiro Caesar Lima, 49, um profissional bem sucedido nos Estados Unidos. Ganhador de 7 prêmios, ele já fotografou famosos como o rei do Supecross, Jeremy McGrath, e o craque brasileiro Cafú. Um de seus mais importantes trabalhos é o livro Atleta, onde atletas famosos foram fotografados e doaram o cachê para associações de ajuda à criança.
O gosto pela fotografia existe desde sempre, mas o investimento na área foi quase por acaso. Ex-diretor de arte, Caesar estudou na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em São Paulo. Nesta época, teve contato com o fotógrafo Dimitry Lee, que fotograva para a Brastemp e para a Gradiente. Três meses mais tarde, Caesar já estava fotografando.
A decisão de vir para os Estados Unidos nasceu há 22 anos, quando ele e a esposa, que já havia morado no Texas quando criança, vieram para as Olimpíadas de Los Angeles, onde o mercado de fotografia publicitária era enorme. De quebra, o casal adorou a cidade e o clima.
Do seu estúdio em Calabasas, Califórnia, Caesar fotografa da forma como mais gosta, ou seja, fotografa com uma idéia, cria algo único. “Gosto de fotografar o que não existe, o que não é comum, criar uma luz que não seria possível de se ver ao vivo. Fazer o mundo virar especial, fantasia”, explicou. O resultado desta criativa mistura foram os prêmios Create em 2006 e 2007, Maverick em 2004 e American Show Case em 2001, entre outros.
O bem sucedido fotógrafo adora utilizar as mais variadas técnicas digitais, o que faz a diferença no seu excelente trabalho, associado ao “jeitinho” alegre e divertido do brasileiro. “O fato de ser brasileiro me abriu várias portas, sempre sou bem recebido, e ter sotaque é ótimo, as pessoas prestam mais atenção a você”. Ele tem o maior orgulho em ser nativo do país do melhor futebol do mundo, das modelos mais famosas, da Bossa Nova, do carnaval e da caipirinha. “É uma dádiva!”.
Projeto Atleta e planos
Para o projeto Atleta, Caesar convenceu atletas famosos a ser modelo por um dia, doando o cachê para diversas associações de ajuda à criança. Os “modelos” foram fotografados de uma maneira bem sensual. “Como se fossem supernaturais”. Segundo o fotógrafo, foi mais difícil convencer os homens do que as mulheres a tirarem a camisa. “O Cafú foi um sufoco, me perguntava ‘porque sem camisa? Isto é para revista gay?’” (risos). Cafú só ficou mais confortável depois que Caesar mostrou a ele algumas fotos anteriores.
A idéia do livro Atleta se concretizou em 2002, ano da Copa do Mundo de Futebol, realizada no Japão e Coréia. Além de Cafú, foram fotografados Emérson, Oscar Córdoba, Zé Maria, e atletas do basquete, surf, vôlei e motovelocidade. A terceira fase do projeto foi concluída em 2005. “Agora, depois do livro, faço exposições e continuo fotografando novos atletas. É um projeto que nunca termina”.
Caesar acredita que seria tão bem sucedido no Brasil quanto é aqui, pois acha que o Brasil, nos últimos 10 anos, se tornou um dos países mais criativos em publicidade. O seu sucesso nos Estados Unidos talvez seja explicado pelo casamento da tecnologia com a paixão pela profissão. “A tecnologia que uso é muito importante, pois me proporciona usá-la como uma ferramenta para criar novos visuais, de explorar novos conceitos”.
Ele próprio confidenciou que, com tanto sucesso na “terrinha do Tio Sam” ainda existe sim a vontade de fotografar no “país tropical”. Quanto ao sucesso no Brasil ser tão grande quanto nos Estados Unidos, Caesar foi muito franco. “No ano que vem estou com planos de abrir um estúdio no Brasil, em São Paulo. Aí te respondo com certeza”. (risos)
Conheça mais sobre o trabalho de Caesar Lima no site www.caesarlima.com.