O surrealismo e o corpo humano fazem parte dos temas preferidos de um artista plástico brasileiro. Utilizando muita ou pouca cor, Josias Monteiro consegue desenvolver as mais belas formas. Elas atualmente podem ser vistas na exposição comemorativa aos 15 anos do Grupo Mulher Brasileira.
As figuras humanas acompanham Josias desde a infância. Segundo o artista, com apenas 6 anos de idade ele já retratava o corpo humano. A formação em educação física com certeza ajudou a dar continuidade ao tema preferido. Nenhum outro tema faz o artista feliz. “Posso pintar uma maçã, mas não vou ter prazer em pintá-la”, confidenciou o artista.
Os quadros de Josias, com cores suaves, vibrantes ou até mesmo com partes sem cores, eram antes marcados pela maior fixação. “Preto e branco”. Depois de muito trabalhar com o grafite, o artista foi incentivado por um amigo a utilizar as cores. “Ele disse que eu poderia abranger mais público, que meu trabalho ficaria mais rico”. E foi assim que ele deu vida aos corpos.
Morando há 22 anos nos Estados Unidos, o brasileiro já participou de uma exposição na Massachusetts Alliance for Portuguese Speakers (MAPS), mas nunca teve a chance de expor em Nova Iorque, a menina dos olhos de qualquer artista plástico. Mas ele não reclama, e continua pintando e desenhando não pela sobrevivência, e sim pelo prazer de produzir. “De repente acordo e começo a pintar. Acho meio espiritual”.
Arte como herança
Toda esta arte pode até ser um fenômeno sobrenatural na vida de Josias. Mas a herança vem também de família. “Tenho um primo e uma irmã que são artistas”. O processo de produção é acompanhado de bastante pesquisa e de uma boa dose de autoexigência. “Se não gosto, rasgo, jogo fora e começo tudo outra vez”.
Nascido em Vitória (ES) e morando em Boston, Massachusetts, Josias trabalha com estamparia de camisas desde que chegou ao país. A maior frustração está em não ter perseguido os sonhos de se formar arquiteto e de ser um bem-sucedido artista plástico no Brasil. “Meu pai nunca me apoiou, era totalmente contra”. Mesmo sem a formação, Josias começou a se realizar ainda no Brasil, onde trabalhou com um grupo de teatro infantil e ajudou a montar um cenário de dança para as irmãs.
Foi também no Brasil onde realizou de três a quatro exposições. Era o pontapé inicial para a carreira que agora o deixa totalmente realizado.