A riqueza de ritmos brasileiros tem impulsionado o contrabaixista Leco Reis a aprofundar os estudos musicais. A carreira bem sucedida nos Estados Unidos tem aberto portas para shows em outros países.
O contrabaixista se apresentou no sábado (31) no S.O.B.’s em Nova Iorque. Em agosto, embarca para França e Espanha, para várias apresentações. Por telefone, ele falou sobre a carreira e futuros projetos.
O início de Leco na música foi como percussionista na Banda Marcial do Colégio São João em Porto Alegre (RS), sob a batuta do Maestro Luis Motta. O violão era tocado fora da escola. “Depois fui para o contrabaixo”, disse ele.
Segundo Leco, a escolha aconteceu porque ele gostava muito do trombone, o qual é tocado na nota musical fa. “É um instrumento muito parecido com o contrabaixo”. Em 1996, Leco decidiu se aperfeiçoar no renomado Berklee College of Music em Massachusetts. Três anos depois, o músico se formava.
A idéia inicial de Leco era ficar um pouco por Nova Iorque. Mas o período acabou se estendendo. “Fiz o mestrado, casei”.
As viagens a trabalho são feitas com músicos brasileiros, e também com muitos americanos que tocam música brasileira. Um dos companheiros fiéis nesta jornada musical é Ron Carter. Leco confidenciou que gostaria de se apresentar com mais frequência no Brasil. “Com certeza, muito”.
Caldeirão da música brasileira
Sobre o sucesso da música brasileira nos Estados Unidos, Leco não poupou elogios para explicar o porquê. “A qualidade musical, harmonia, ritmo. A música brasileira é muito rica. São vários estilos, baião, samba, bossa nova. É muito rica e diversificada”.
Torcedor fanático do Grêmio, Leco é um contrabaixista bastante requisitado na cena musical americana. Depois que mudou para Nova Iorque, conquistou ainda a Ásia e a Europa. Já tocou com grandes nomes como Paulo Braga, Aloisio Aguiar, Clarice Assad, Graham Haynes e Eric Plaks Quintet. Com músicos como Edward Tomassi, Mark Helias, John Lockwood e Charlie Banacos, Leco adquiriu um belo aprendizado.
Nos últimos tempos, Leco tem estudado bastante o maracatu, ritmo pernambucano baseado na percussão. Apesar de ser gaúcho, o contrabaixista disse que tem vontade de saber mais sobre a música do Rio Grande do Sul. Para isso, já está em conexão com o músico gaúcho Eduardo Guedes, que toca com conhecidos nomes como Renato Borghetti.
Segundo Leco, o passado do maracatu e da música gaúcha são bastante parecidos. O estudo dos dois ritmos gerou no músico a vontade de estudar outros tipos de música presentes no Brasil. “Não só as coisas que já existem, como as coisas que estão acontecendo agora”. Como projeto futuro, Leco pretende montar um grande grupo e gravar um CD e um DVD.