O estilo do compositor Felipe Lara tem conquistado os palcos dos Estados Unidos e do mundo. Suas inspirações vão de obras de artistas plásticos a imagens. É desta forma que o compositor explora sonoridades e vai tornando seu talento conhecido.
O primeiro contato de Felipe com a música foi através de uma guitarra. Em seguida veio o interesse pelo jazz e pela música brasileira. Foi no Berklee College of Music em Boston (MA) que Felipe teve a oportunidade de conhecer outros tipos de música. “Entre eles a música clássica e a contemporânea de concerto, que é o que eu faço hoje”, disse ele.
Sobre o processo de composição, Felipe confidenciou que se inspira em várias coisas. Segundo ele, cada peça musical tem seus próprios mecanismos. Quando vai compor, o músico já pensa na unificação da peça como um todo. “Pode ser uma imagem, um tipo de sonoridade, uma estrutura, podem ser muitas coisas. É um jeito de explorar música esticando a possibilidade da própria música. O que se pode fazer com o som. Quais as combinações inusitadas dos instrumentos”.
O compositor contou que escutou bastante Villa-Lobos, no início da carreira, mas que atualmente não se inspira diretamente no grande músico. De qualquer forma, Felipe sabe da importância de Villa-Lobos. “A orquestração, os sons únicos que ele tirava da orquestra sem dúvida influenciaram todos os compositores brasileiros”.
As obras de Felipe Lara, que é natural de Sorocaba (SP), já percorreram o Brasil, Alemanha, Inglaterra, Luxemburgo e Suíça. Entre os conjuntos que interpretaram suas músicas estão Arditti Quartet, Berkshire Symphony e Kammerensemble Neue Musik Berlin. No final de 2008 foram lançados no Brasil dois CDs com obras de Felipe. Em 2011, terá sua música tocada pela OSESP, e na Fundação Sacatar, na Bahia.
Sucesso conquistado aos poucos
É claro que o reconhecimento da crítica alegra Felipe. Em março último, o artista foi capa da Folha de São Paulo, e já recebeu algumas críticas boas do The New York Times. Apesar disso, o músico admite que este tipo de música não ganha muito acesso à mídia e ao público. “Aos poucos o pessoal vai tendo a oportunidade de escutar o meu trabalho”.
Felipe disse que toca violão e guitarra em casa, com os amigos, mas seu trabalho se resume a composição. “Saiu das minhas mãos já não é mais comigo”. Professor do departamento de música da Universidade de Nova Iorque, Felipe também toca piano nas aulas.
Nem sempre o brasileiro tem a oportunidade de sair em turnê com os grupos e orquestras que tocam sua música. “Não posso viajar e presenciar todas as performances, e mesmo financeiramente também fica difícil”. Mas nas estréias, Felipe está sempre presente, até mesmo para trabalhar na obra, junto com os músicos.
Segundo o artista, que tem 10 anos de carreira, sua obra é conhecida no Brasil, mas mais no meio erudito. Ele atualmente produz uma peça encomendada pela OSESP. “É uma obra onde vou usar o texto e algumas idéias do artista plástico Nuno Ramos”.