Dendê e Hãhãhães foi a banda escolhida para a abertura do Brazilian Day New York 2010. Ex-membro da Timbalada em Salvador (BA), Dendê Macedo está muito orgulhoso em tocar com o mestre Carlinhos Brown, ao mesmo tempo em que divulga o trabalho.
O músico baiano contou que já está bastante concentrado para o show, e disse que reservou um repertório bem agradável ao público. “Acho que o Brown também, que é um grande maestro, vai estar feliz de ver um ex-timbaleiro dele, que saiu de Salvador e está aqui montando um trabalho super legal”, disse ele, em entrevista por telefone.
Nascido com o dom musical, Dendê começou a tocar profissionalmente aos 14 anos. “Aprendi muita coisa na rua”. O músico, que costumava criar os próprios instrumentos e pesquisava os ritmos do candomblé, acalentava um grande desejo. “Meu sonho era tocar no Olodum”.
Mas a Timbalada chegou para mudar a vida de Dendê. Durante dois anos, o baiano fez shows e participou de micaretas (carnaval fora de época) com o grupo, onde ganhou destaque. Fez trabalhos com Carlinhos Brown e Daniela Mercury e participou da gravação de oito álbuns da Timbalada, e de “Alfagamabetizado”, primeiro disco de Carlinhos Brown.
Um timbaleiro em Nova Iorque
Com somente 16 anos, foi selecionado para shows na Europa e no Japão. Porém, ele e outros timbaleiros começaram a enfrentar dificuldades, musicalmente falando. Sem banda para tocar, Dendê foi trabalhar de segurança e dar aulas de percussão. Um aluno percebeu o talento do músico e convidou-o para trabalhar em Nova Iorque. Já nos Estados Unidos, acabou conhecendo a esposa Leslie, americana que fala português e é componente da banda do marido.
Dendê Macedo chegou no país em 2001. Um ano depois formava a Hãhãhães, nome de uma tribo Pataxó da Bahia. Os ritmos afro-brasileiros que misturam a tradição do candomblé e do samba de roda conquistaram a cena musical novaiorquina. Alguns membros da Hãhãhães já tocaram com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Vinicius Cantuária.
Apesar de adorar a terra natal, Dendê disse que é totalmente feliz com tudo o que conquistou nos Estados Unidos. “Acho que eu nunca teria em Salvador o que tenho aqui. É muito difícil porque você faz uma coisa, e a mídia quer outra”. Para ele, a Hãhãhães é como uma família. “Amo o meu Brasilzão, claro, mas é Nova Iorque que me deu tudo o que está me dando hoje”.