A proximidade de mais um inverno, aliada à atual crise econômica americana, traz junto uma grande preocupação para os imigrantes brasileiros. Os que presenciaram um verão “magro” não estão nada otimistas com a estação do frio. Mas ainda existem aqueles que não estão presenciando tanta dificuldade.
A grande vilã da situação atual, segundo economistas, seria a crise imobiliária, desencadeada pelas hipotecas de alto risco, os chamados subprime, usados para aquisição da casa própria. Sem dinheiro para pagar as altas taxas de juros que envolvem este tipo de negociação, os compradores simplesmente não conseguiram cumprir com os compromissos assumidos.
O final da primavera de 2008 já sinalizou uma mudança para Antônio de Souza, proprietário de uma firma de landscaping. Ele confidenciou que chegou a demitir 2 funcionários, e disse que precisa esperar o que vai acontecer no inverno, que pode ser de muita ou pouca neve.
A esperança de dias melhores está acompanhando Cristiano Carvalho, também proprietário de firma de landscaping. A exemplo de Antônio, diminuiu os números de empregados pela metade. “Tenho a empresa desde 1994 e é a primeira vez que vivo uma situação ‘apertada’ assim”, desabafou, complementando que o trabalho começou a diminuir em junho passado, devido à crise na área de real state.
Por incrível que pareça, três brasileiros estão na contramão da atual crise. Márcio Vieira Santos realiza trabalhos de landscaper como part time, e não teve diminuição de trabalho. Porém, já está se prevenindo para o inverno, caso falte trabalho. Proprietário de uma empresa de landscaping, Aldrin Costa é só sorrisos, pois há cerca de duas semanas, fechou um contrato para o inverno. Surpreso, reconhece que sua situação é inédita, pois tem vários amigos que estão tendo momentos difíceis.
Futuro incerto
O pintor Daniel Palmeira também já está com trabalho garantido para o inverno, e disse que esta é a sua melhor fase. A exemplo de Aldrin, também tem visto brasileiros enfrentando problemas de falta de trabalho. O patrão do também pintor Roberto Teixeira já está se mobilizando para encontrar trabalho para os funcionários. Há 4 anos nos EUA, Roberto confidenciou que parou no inverno somente nos dois últimos anos. “Estou prevendo menos de 40 horas semanais para este inverno”, disse.
Não se sabe ao certo o futuro da outrora maior potência econômica do mundo. Parece irônico que há somente 3 anos, comprar uma ou mais casas era um ótimo investimento. Naquela época viu-se também a procura por novas hipotecas, onde o dinheiro do financiamento era utilizado para quitar dívidas, e naturalmente para gastar mais, em se tratando de um país capitalista como os EUA.
No dia 15 último, o mundo acompanhou atônito o anúncio de pedido de concordata pelo Lehman Brothers, menor banco de investimentos entre os grandes de Wall Street. O fato acontecia depois de semanas de procura por um comprador. Entre outros candidatos, o Bank of America foi cogitado como comprador. Mas as perdas sofridas pelo Lehman, devido às hipotecas de risco, afastou os eventuais compradores.