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Marilda e Sérgio Bolzan (à direita) reunidos com familiares durante missa na Igreja São Pedro, em Danbury.
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Com a chegada do Natal, o brasileiro que mora nos Estados Unidos e que ainda não pode viajar ao Brasil, para passar a data junto aos seus, sente o coração um pouco mais apertado. Mas para aqueles que vão ter a presença de um familiar por perto neste dia tão especial, a sensação é de pura alegria.
Para quem não tem a família por perto, o jeito é se cercar de amigos queridos. O Natal deixa todos naturalmente mais sensíveis, especialmente o imigrante. A chance de reviver as boas lembranças das comemorações em família é dada a poucos privilegiados.
Como João Paulo Inácio, por exemplo, que terá a presença do sobrinho Eduardo Inácio Molinari neste Natal. Os dois não se viam há quase seis anos, o tempo que João vive nos Estados Unidos. João descreve a alegria de ter um parente no Natal como “quase inexplicável”.
Eduardo, que chegou do Paraná no dia 5 de dezembro, também não esconde a alegria em estar junto ao tio. A sensação que João, residente em Waterbury (CT), está sentindo já foi experienciada por Juliana Leles, esposa dele. Há dois anos, ela teve a alegria de ter a irmã junto, nesta mesma época.
O Natal deste ano não poderia ser melhor para Karina Schulz, moradora de Wappingers (NY). A goiana de Acreúna disse que está “muito, muito feliz” neste Natal, pois pela primeira vez terá a presença da mãe.
Para celebrar este grande momento, Karina vai preparar uma caprichada ceia de Natal, tradição que não é tão cultivada pelos americanos. Quanto ao presente para a mãe, disse que será uma “big surpresa”.
Se o coração da filha está batendo mais forte, imagine o da mãe, Cida Cabral. Quando conseguiu o visto para vir aos EUA, chorou de emoção, pois sabia que o Natal teria outro gosto. Mesmo acompanhada de Karina e de quatro netos, ainda sente o coração apertado pelos outros dois filhos, que estão no Brasil.
Emoção e orações
Marilda Bolzan se emociona ao falar da alegria em ter a companhia dos irmãos Jorge Machado, Mariliza e Maristela, para o Natal, depois de longos nove anos e meio de espera. “Ainda estou flutuando, abraço eles toda a hora”, disse ela, que dispensou qualquer preparo especial para a data. “O especial é a família reunida”. Dentro do espírito natalino, Marilda orou por todos os imigrantes que não têm a mesma oportunidade de ouro que elá está vivenciando. “Não é fácil esta barreira, se pudessem estar como eu no Natal... Mas tenho certeza que Deus sustentará a todos”.
Para o irmão de Marilda, a alegria é dupla. Acompanhado da esposa Alzira, veio não só para rever a irmã mas também para celebrar a data junto à filha, Tayana Passos, a qual não via há mais de 10 anos. Ele nem está se importando se a ceia terá o tradicional peru de Natal, ou se vai ganhar presente. “O importante é ver a minha filha e passar o Natal com ela”.
Mesmo Tayana não sendo filha de Alzira, a brasileira a considera como tal, e não consegue se conter diante de tamanha alegria. “Tivemos uma surpresa, ao conseguirmos vir mais cedo do que o previsto”, disse. A vinda dos Machado aos EUA talvez só acontecesse em março de 2009. A alegre reunião em família ainda vai contar com os telefonemas de Alzira para o Brasil, na noite do dia 24 de dezembro.
Por mais difícil que seja passar o Natal longe da família, é preciso pensar que se trata de uma situação temporária. Uma câmera no computador ou um simples telefonema podem ajudar a suprir a dor da saudade, que cresce neste dia.