A morte da brasileira Juliana Leal, 26, num acidente automobilístico após ter ingerido álcool, levantou a questão entre os brasileiros sobre a combinação álcool e direção. Muitas pessoas ainda ignoram os perigos e continuam a desafiar a morte. Outros porém colocam o respeito à vida em primeiro plano.
Lisa Aleluia, amiga de Juliana Leal, chegou a impedi-la de sair pois teria percebido que ela não estava em condições de dirigir. Segundo Lisa, não era a primeira vez que ela evitava que Juliana dirigisse por causa da bebida.
O brasileiro Gedeon Figueiredo, de Danbury, Connecticut, também já tomou a mesma atitude diversas vezes. Na América há seis anos, ele não bebe, e o argumento utilizado para convencer um amigo para não dirigir após ingerir álcool, é de que a vida de outras pessoas também estaria em risco.
Gedeon já perdeu dois colegas em acidentes de carro, porque estavam dirigindo alcoolizados. Acha que a lei nos EUA deveria ser um pouco mais rígida, nestes casos, e está feliz com a implantação da Lei Seca no Brasil, criada para ajudar a reduzir os acidentes de carro.
Aprovada em 19 de junho passado, a Lei Seca torna ilegal dirigir com concentração a partir de 2 decigramas de álcool por litro de sangue. O descumprimento da lei prevê suspensão por um ano da carteira de habilitação, retenção do veículo e multa de R$ 955.
O rigor aumenta para quem for flagrado com seis decigramas de álcool por litro de sangue, também constatados no exame de bafômetro, com detenção de seis meses a três anos. Apesar de ainda existirem muitos flagrantes de imprudência, o número de acidentes diminuiu nas grandes cidades.
Consciência
Em São Paulo, onde morou, Simone Lemos Rocha era sempre a escolhida para levar os amigos para casa, pois não bebia. Nos EUA, disse que já pegou o carro por outras pessoas em três ocasiões. “Se todo o mundo tivesse a postura de impedir, acho que não morreria tanta gente”, disse Simone, que lembrou imediatamente das amigas, a partir da implantação da Lei Seca no Brasil.
Simone, que trabalhava como enfermeira no Brasil, disse que os colegas de profissão estão desaprovando a Lei Seca, porque o número de entradas no pronto-socorro diminuiu, e reprovou a atitude deles. Disse que continuará a impedir as pessoas de dirigirem alcoolizadas, sempre que puder.
Assim como Gedeon e Simone, Abílio Pedroso, que não bebe, já dirigiu o carro por um amigo, que quase não aceitou a ajuda. “Ele poderia ter sofrido um acidente, com certeza”, disse ele, sugerindo ainda palestras para as pessoas entenderem melhor que álcool e direção não combinam.
A bartender Elizethe Oliveira, do bar do Terra Brasilis, também está fazendo a parte dela. “Paramos de servir a bebida quando vemos que a pessoa está passando dos limites”, disse Elizethe, acrescentando que há quem não goste. Segundo ela, os atendentes do bar sempre se preocupam em saber se existe alguém sóbrio para levar a pessoa que bebeu em casa. Elizethe acredita que vários acidentes já tenham sido evitados.
Além de ser bartender no Cowboys Bar, Jeane Campos era grande amiga de Juliana. A exemplo de Elizethe, disse que “cortam” os drinques extras de clientes que bebem demais. A perda da amiga, desta forma trágica, aumentou a consciência de Jeane, que tem alertado as amigas, para não acontecer o mesmo.