Para quem pensa que a crise econômica dos Estados Unidos está mandando os imigrantes indocumentados de volta para casa, atenção. Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Política de Migração (MPI, em inglês), revela que os imigrantes indocumentados ainda mantém fortes laços com a América.
Segundo o jornal Washington Post, o MPI tomou como base recessões vividas anteriormente pelo país. Segundo o estudo, a recessão atual contribuiu sim para que a imigração ilegal diminuísse. Por outro lado, quem já está aqui pensa duas vezes antes de enfrentar a situação econômica no país de origem, e leva ainda em consideração a dificuldade de entrar de novo nos Estados Unidos.
De acordo com Demetrios G. Papademetriou, co-autor do estudo, a espera de um imigrante indocumentado por um visto é muito grande, e quando a oportunidade aparece, é agarrada com unhas e dentes. “Eles não querem voltar para o fim da fila”, disse. Um dos possíveis e preocupantes efeitos da recessão sobre os imigrantes indocumentados, segundo Papademetriou, diz respeito a aceitar salários ainda mais baixos.
O pesquisador, porém, alertou que este problema pode afetar não só os imigrantes indocumentados, mas também aqueles que trabalham com eles. “Isto tem consequências sociais e econômicas muito importantes para o país....Se não tivermos cuidado, poderemos ter situações não previstas e que não vemos neste país há algum tempo”.
Especulações de analistas deram conta de que os imigrantes indocumentados poderiam sim estar voltando para seus países. A justificativa deles seria o cerco das autoridades locais e federais e a probabilidade dos imigrantes trabalharem nas indústrias mais afetadas pela crise.
Apesar disso, Papademetriou e Aaron Terrazas, outro co-autor do estudo, não encontraram estatísticas que comprovem o retorno de imigrantes, indocumentados ou não, para o México ou outros países, desde dezembro de 2007, quando a recessão teve início.
Mexicanos ainda insistem no sonho americano
Ainda conforme a pesquisa, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu uma queda na economia do México. Em números, significa que a baixa foi 4,9% em 2006 para 1,8% em 2009. A moeda mexicana (peso) também perdeu 22% de seu valor, comparada ao dólar americano, no período compreendido entre 1° de dezembro de 2007 e 1° de dezembro de 2008. Estes fatores serviriam de incentivo para que os mexicanos indocumentados fiquem nos EUA.
O estudo cita ainda uma pesquisa feita por uma agência oficial de estatísticas do México. Segundo o órgão, a emigração de mexicanos para os EUA, em cada primavera, caiu de 14,6% por 1.000 residentes em 2006 para 8,4% por 1.000 residentes, no ano passado. Outro estudo mencionado no relatório do MPI revelou que, desde 2001, o número de imigrantes apreendidos na fronteira sul subiu e caiu, seguido da taxa de emprego.
Em outubro último, o Pew Hispanic Center revelou que, nos anos 2.000, o número de imigrantes indocumentados entrando nos EUA caiu. A queda foi de aproximadamente 800.000 durante a primeira metade desta década para cerca de 500.000, na segunda metade da década.