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A decisão de ficar ou partir tem causado cada vez mais dúvidas entre os brasileiros. Abaixo, Dila, proprietária da Dila Travel Services diz que os cancelamentos estão frequentes.
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As agências de viagem têm assistido, nos últimos tempos, um aumento no número de brasileiros que estão mudando com frequência a data da volta para casa. Muitas não querem nem esperar a chegada do final do ano, antecipando a ida. Uma das razões principais é o baixo valor do dólar e a escassez de trabalho. Outros porém estão cancelando a volta para o Brasil porque ainda não estão bem seguros se a hora é essa.
A BACC Travel de Danbury, Connecticut, tem tido casos de antecipação de passagem, ou seja, passagens que estavam marcadas para dezembro foram antecipadas para outubro, e novamente antecipadas para setembro. “Queixam-se do dólar baixo e da dificuldade em conseguir trabalho”, disse Cristiana, funcionária da agência.
Segundo Cristiana, muitos estão otimistas com a situação do Brasil, onde pretendem abrir um negócio com o dinheiro ganho na América. “Também querem ir por causa da situação imigratória. No Brasil não precisam temer a polícia por dirigir sem carteira e porque lá têm os direitos de cidadão”.
Alencar Castello, proprietário da Interpoint Travel Services, disse que está praticamente esgotada a possibilidade de viajar nos meses de novembro e dezembro. Além das queixas citadas anteriormente, existe a dificuldade de viver sem documentos, principalmente sem a carteira de motorista.
A situação tem sido a mesma no Coelho Plaza, em Bridgeport. De acordo com a funcionária Rosalina Santos, as antecipações de dezembro para setembro têm ocorrido muito em função da atual situação econômica dos Estados Unidos. “Preferem arriscar no Brasil, mesmo sem ter emprego lá”, disse ela, acrescentando que o fato de estarem indocumentados aqui também influencia na decisão.
Um casal brasileiro, que preferiu não se identificar, tinha suas passagens marcadas para 4 de dezembro, mas decidiram por antecipar para 25 de setembro. Eles moram nos Estados Unidos há quase 10 anos e ficariam no país somente se tivessem o green card. O casal ainda não tem idéia do que vai fazer para sobreviver no Brasil, mas se mostrou confiante com a vida nova que os aguarda.
Indecisão
Na maré contrária, alguns brasileiros tem cancelado a volta. Esta é o que tem observado a comerciante Dila, da Dila Travel Service. “Quem cancela diz que ainda não está na hora e que o dólar subiu. Querem guardar um pouco mais de dinheiro”, afirmou Dila, dizendo que alguns clientes reconhecem que se precipitaram e compraram a passagem no impulso.
O caso de Wilson Nascimento Rodrigues, cliente da Dila Travel, é de completa indecisão. Nos Estados Unidos há três anos e quatro meses, a volta marcada para o final de setembro já sofreu várias alterações. Wilson tinha marcado a viagem, inicialmente, para fevereiro último, adiou para junho, depois para novembro, para finalmente decidir.
Ele afirmou que, apesar da crise econômica do país, ainda “balança” na hora de ir embora, pois não está bem seguro se quer deixar os Estados Unidos. “Se disser que estou convicto da minha volta no final de setembro, estou mentindo”, afirmou ele, complementando que só fincaria raízes na América se pudesse trazer a esposa e o filho de seis anos. “Se não der, vou ‘chutar o balde’”.