O controle da natalidade no Brasil estaria sendo comandado pelas novelas. Esta é a conclusão de um estudo realizado por Eliana La Ferrara, da Universidade de Bocconi, na Itália, em conjunto com Alberto Chong e Suzanne Duryea, do Banco Interamericano de Desenvolvimento. A televisão estaria também promovendo uma mudança nas aldeias indígenas.
O trio de pesquisadores analisou as novelas que foram ao ar no período de 1965 a 1999, concluindo que as famílias mostradas são bem menores do que as existentes no Brasil real. As novelas estudadas também mostram que 72% dos personagens principais femininos, com 50 anos ou menos, nunca tiveram filhos, e que 21% delas tinham somente um filho. Daí a hipótese levantada pelo grupo: as novelas estariam atuando como “pílula anticoncepcional” entre as brasileiras.
O fato contrasta com a década de 60, quando a mulher brasileira tinha uma média de 6.3 fihos. A taxa de fertilidade caiu para 2.3 por volta dos anos 2000, chegando a ser comparada com a China. Mas, ao contrário do país oriental, o Brasil nunca implantou a política de ter apenas um filho. O anúncio de anticoncepcionais já chegou a ser proibido no país tropical.
As novelas seriam somente um dos fatores responsáves pela queda da fertilidade entre as brasileiras. A atração típica brasileira, monopolizada pela Rede Globo, atinge todas as classes sociais do Brasil.
Mudança social
As mulheres residentes em áreas que recebem sinal da Rede Globo tiveram queda na fertilidade, aponta o estudo. Os pesquisadores utilizaram dados da entrada da Rede Globo em diferentes mercados, junto com dados do censo de 1970 a 1991. Além de influenciar no controle da natalidade, as novelas da Rede Globo também teriam influenciado no nome das crianças. Os pais gostavam de batizá-las com nomes dos personagens.
No ano passado, o site foreignpolicy.com publicou um artigo intitulado “Os Privilégios da TV”, retratando um estudo sobre os efeitos das TVs por satélite em aldeias indígenas. Por influência da TV, as índias teriam se tornado mais independentes, ficando menos tolerantes aos abusos dos maridos e menos pré-dispostas a ter filhos homens. Elas também estariam mais donas de si na questão financeira, não pedindo mais a permissão dos maridos para gastar dinheiro.
Conclusão do estudo: uma mudança social estaria sendo promovida pelas novelas.
O estudo completo pode ser lido (em inglês) aqui: www.cid.harvard.edu/bread/papers/working/172.pdf