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Foto: Eduardo de Oliveira
Aaron Litvin, coordenador do programa de Estudos Brasileiros na Harvard, apresenta alunos a professores.
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A Universidade de Harvard, uma das mais cobiçadas instituições dos Estados Unidos, está assumindo um ar mais, digamos, imigrante. Mais especificamente brasileiro. É prova de que o local não é mais dominado pela chamada elite estudantil.
Na reportagem de Eduardo de Oliveira, do blog “Brasil com Z”, percebe-se o que isto significa. Durante a recepção de boas-vindas aos calouros da universidade, Aaron Litvin, coordenador do programa de Estudos Brasileiros no Centro David Rockefeller de Estudos Latinos, falava sobre o Brasil com os novos estudantes. Enquanto isso, as coxinhas dos restaurantes brasileiros de Cambridge (MA) eram saboreadas por doutorandos e professores.
É a cara de Harvard que está trocando. Eleita a melhor pelo Ranking Nacional de Universidades, ela já foi formada basicamente por filhos de influentes, ricos e políticos.
Fundada em 1636, a Universidade de Harvard tem prestígio mundial. Possui a quarta maior coleção de livros do mundo e abrigou alunos ilustres como Barack Obama, John F. Kennedy, Franklin Roosvelt, John Adams, John Quincy Adams, Rutherford B. Hayes e Theodore Roosevelt. Todos eles se tornaram presidentes dos Estados Unidos.
A atmosfera de descontração ficou completa com as boas-vindas do ministro Fernando Igreja, vice-cônsul do Brasil em Boston.
O catarinense Eric Westphalen, 19, está entre os imigrantes que ganharam a calorosa recepção. Nos Estados Unidos desde os 11 anos de idade, ele representa atualmente um perfil totalmente novo em Harvard. Para ser aceito na instituição, vale seguir o conselho dele. “Faça além daquilo que é esperado de você. Se destaque, (na verdade, foram 19 mil candidatos em 2009) porque outras 30 mil pessoas tentarão conquistar a mesma vaga”.
Ambições brasileiras
Casado com uma americana, o estudante traça planos para ser economista, e sonha alto com o “trabalho dos sonhos”: representar o Brasil na ONU. Talvez a surpresa da noite tenha ficado por conta da presença de Preston So. Filho de sul-coreanos e nascido no estado de Idaho, o estudante é brasileiro de coração e torcedor do Cruzeiro. Quando visitou Minas Gerais, junto com cadetes da força aérea, Preston se apaixonou pelas pessoas e pela comida.
“Em Montes Claros, se você visita a casa de uma pessoa (estranha), ela te convida para jantar. Isso me surpreendeu bastante. Foi muito legal”, disse o estudante.
Entre os brasileiros que estão fazendo a diferença em Harvard está a carioca Joana Machado. Ela pesquisou recentemente os efeitos do tráfico de drogas nas escolas de duas favelas do Rio de Janeiro. Paulistana, Daniela Souza Egorov tem um projeto. “Gostaria de ver no Brasil um movimento de reforma da educação, mas lá as pessoas nem sabem ainda que seja possível”, disse.
Mineiro de Belo Horizonte, Adilson José Moreira é doutorando em direito, e estuda a relação entre direito e racismo, e é especialista em direito constitucional. O paraibano Pedro Henrique de Cristo faz pesquisa de novas políticas de segurança pública em quatro favelas da capital carioca, e pretende seguir carreira política no Brasil. “Tem gente que pretende fazer dinheiro, eu pretendo fazer história”, disse ele.