Danbury, CT - Wednesday, February 08 2012
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Comportamento

Crise econômica muda hábitos dos brasileiros

Cortar gastos, buscar promoções na hora da compra e evitar os supérfulos são algumas das formas que os brasileiros estão combatendo a crise.

Arquivo pessoal
O casal Viegas não se deixa abater e se une ainda mais, mesmo em tempos financeiramente difíceis.

O casal Viegas não se deixa abater e se une ainda mais, mesmo em tempos financeiramente difíceis.

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A atual crise econômica americana está mudando e muito o hábito de todos, sejam americanos ou imigrantes. Cada um dribla a situação da maneira como consegue. O fato conseguiu até mudar a vida de casais que pensavam em se divorciar. O momento requer um olho no dinheiro e outro nos gastos, para evitar amargas conseqüências no orçamento doméstico.

O que mais se ouve ultimamente é a palavra “corte”. Segundo o Departamento de Trabalho Americano, 533 mil empregos foram cortados no mês de novembro último, a maior redução mensal dos últimos 34 anos. Quem ainda por sorte tem emprego, viu o corte no número de horas trabalhadas, e até mesmo a diminuição do salário.

Foi o que aconteceu com o brasileiro Silvio Libânio. Cumprindo somente 35 horas semanais e com a esposa impedida de trabalhar por conta de uma cesariana, tratou de promover cortes, tais como a diminuição do uso do telefone e as eventuais “saidinhas” do final de semana. “A única coisa que mantemos são os gastos do dia a dia, as coisas supérfluas procuramos cortar”, disse Silvio.

A crise atingiu também o trabalhador da construção civil, Valmir Cabral, que viu o salário sofrer uma baixa. Está procurando economizar o máximo possível, já que é inevitável pagar as contas necessárias e ainda sustentar a esposa e as duas filhas, que moram no Brasil. Cortou os passeios, mas parece que está “tirando de letra”. “Sempre fui econômico, nunca fui de gastar muito. Procuro gastar agora menos ainda”.

O movimento no salão de beleza Silvana Santos caiu bastante, principalmente porque a maioria das clientes são housecleaners que perderam muitas casas. Para driblar a situação, Silvana procura priorizar os pagamentos e cortar os supérfluos. “Acho que deve ter um mês que não coloco os pés em uma loja”, disse Silvana, que nunca se privava de comer em restaurantes chineses. Segundo ela, há meses não sabe o que é isto.

Mudanças conjugais
A situação conseguiu pintar um quadro no mínimo estranho para alguns casais americanos. Segundo matéria publicada no site yahoo.com, um casal do Colorado se divorciou mas voltou a morar junto porque não conseguiu vender a casa, e de quebra, nenhum dos dois têm condições de se sustentar no momento.

Segundo juízes e advogados especializados em divórcios, este tipo de situação está se tornando comum. Um casal de Minnesota chegou a desistir de se divorciar quando colocou na ponta do lápis os custos que envolveriam a separação. Marido e mulher decidiram ficar juntos para poder contornar a situação.

Felizmente, discussões por causa de dinheiro, tão comuns nas épocas de crise, não acontecem entre o casal Solange e Tony Viegas. Por incrível que pareça, o casal se une ainda mais em tempos assim. “É diferente com os outros casais com quem converso”, disse Solange. Como Tony mantém o orçamento rigorosamente “na ponta do lápis”, a única reclamação dele, segundo Solange, é quando ela esquece de comunicar o vencimento de uma conta.

Educação financeira
Os “nãos” para as filhas de Marcone e Luciane Vieira, com 4 e 6 anos, quando pedem alguma coisa, tem sido mais frequentes agora, em função da crise econômica. Segundo ele, uma boa conversa resolve, explicando às crianças que é preciso optar, muitas vezes, entre o suco e o biscoito. “Normalmente quando se explica, a criança tende a não teimar. A criança tende a insistir quando não entende porque não pode ter”.

Para Alessandro Olson, da New York Life Insurance, o controle detalhado do orçamento tem que existir. Quem age assim, segundo ele, tem mais condições de administrar os gastos e cortes. Ressaltou que em épocas como esta, o ideal é “apertar o cinto”, deixando as compras extras de lado, pensando até no futuro.

Ainda segundo ele, é preciso cautela na decisão de “raspar” a poupança. Ele admitiu que, às vezes, é necessário abrir mão do fundo de emergência, mas que o possível deve ser feito para mantê-lo.

Com relação aos filhos, o brasileiro disse que a educação financeira deve acontecer desde a infância. Segundo ele, os “baixinhos” precisam aprender de onde vem o dinheiro. Nas palestras para a comunidade, Alessandro tem orientado os pais neste sentido, para serem participativos com os filhos na arte do orçamento da própria mesada. Ainda segundo ele, uma hora como esta é uma excelente ocasião para que a família inteira aprenda junta.

Por: Angela Schreiber
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