Na última semana, Danbury foi cenário de um crime cometido por três jovens com idade entre 16 e 18 anos. Em plena luz do dia. Rafael Henrique, 18, e D., 16, arrombaram uma casa. Não levaram nada, mas deixaram o morador Geraldo Silva bastante ferido. Um terceiro adolescente, L.V., 16, não chegou a entrar na casa, mas foi cúmplice dos dois amigos. Ele próprio admitiu que tem andado em más companhias.
A notícia gerou uma debate quanto a responsabilidade dos pais nas ações dos filhos. Existe um pensamento comum entre os brasileiros que vivem nos Estados Unidos que afirma: “Criar filho aqui não é fácil”. O motivo, segundo muitos pais, pode ter origem na diferença cultural.
Enquanto nos Brasil o filho/filha vive sobre a orientação dos pais dentro de casa, nos EUA é mais comum ver uma liberdade excessiva após determinada idade, considerada ainda cedo pelos brasileiros.
Muitos orientadores são unânimes em afirmar que a presença dos pais na vida do filho, evitando com isso as más companhias, é a forma mais efetiva de evitar problemas.
Segundo a psicóloga Rejane Guerreiro, o adolescente expressa, até a nível inconsciente, sentimentos e frustrações vivenciados durante a infância. “O limite é muito importante, a criança precisa entender o que é certo e o que é errado”, disse. Ainda segundo ela, o adolescente que tem orientação e limites dos pais, e mesmo assim segue as más companhias, procura a aceitação.
Rejane citou o caso de um jovem que participava de uma gang. Embora não aceitasse certas atitudes do grupo, o garoto se sentia aceito pelo grupo, através de abraços e saídas com a turma. Ela alertou também que os pais devem impor limites aos filhos. “Não é com gritos, brigas, ameaças, mas acima de tudo, com diálogo, conversa e manifestação de carinho. O filho precisa se sentir protegido”.
Ainda conforme Rejane, casos semelhantes aos dos três adolescentes em questão tem forma de recuperar. “O papel principal neste aspecto é dos pais. Eles podem ir para terapia, qualquer centro de recuperação, mas a família é a base de tudo”.
Muito diálogo e vida em família
Na família de Henrique Pinheiro, o diálogo é a grande base para a educação da filha de 17 anos. Ele e a esposa são muito amigos da filha, sempre ilustrando exemplos e procurando ver quem são as companhias dela. O brasileiro achou um absurdo o ato dos adolescentes, e alerta muito a filha para as conseqüências dos atos.
Muita conversa também existe na relação entre Ana Gomes e o filho de 16 anos, que tem um horário extremamente rígido. “Quero saber onde vai e com quem vai”, disse Ana, acrescentando que o filho não sai mais, caso descumpra o horário. Ana confidenciou que às vezes é tachada de “chata” pelo filho, mas que no fundo, ele aceita o que ela fala. Ela conhece um dos meninos envolvidos no crime, e na opinião dela, o garoto transformou a liberdade ganha da mãe em libertinagem.
Além dos pais, líderes religiosos também opinaram sobre o fato. O Padre Pedro Diniz, da Comunidade Católica, aconselha aos pais que orientem os filhos. Estes, por sua vez, devem usar o bom senso e medir as conseqüências, pois um ato impensado no presente compromete todo o futuro. Ainda conforme o padre, os adolescentes devem procurar ficar mais junto aos pais e à família, e se afastar das más influências. Desta forma, evitariam que casos semelhantes aos dos três garotos acontecessem.
Na Igreja Batista, liderada pelo Pastor Ophir de Barros, jovens da mesma faixa etária são bastante incentivados a participar de um programa para ouvir a palavra de Deus. “Quando um jovem conhece a palavra de Deus, não faz isso”, disse ele, referindo-se à ação dos meninos. Ele próprio já lidou com casos semelhantes, onde um jovem estaria andando em más companhias e chegou a praticar furtos no shopping mall. Para o pastor, os pais devem priorizar as horas passadas com os filhos e não o dinheiro.
A Igreja Emanuel, comandada pelo Pastor Marconi Cândido, tem programas semanais e mensais para os adolescentes, que se reúnem em oração, paralelo a passeios promovidos pela igreja. Segundo o pastor, os resultados têm sido ótimos, dito pelos próprios pais. Na opinião do pastor, comportamentos semelhantes aos dos três adolescentes pode estar sendo influenciados por filmes violentos. “A participação dos pais na vida dos adolescentes é também muito importante”.