A contagem dos moradores dos Estados Unidos ainda não começou mas o medo já toma conta de alguns imigrantes. Os dados que serão coletados pelo Census 2010 não são entregues para a agência de imigração (ICE). Mesmo assim, muitos devem ficar de fora do questionário.
Segundo o jornal South Florida Sun Sentinel, localidades como Pompano Beach, Fort Lauderdale, Pembroke Park, Delray Beach e Belle Glade, todas na Flórida, são consideradas as áreas mais difíceis para realizar a contagem. Com grande concentração de imigrantes, os locais não revelaram os dados para o último censo, realizado em 2000.
Brasileiros residentes em Danbury e em cidades próximas tem a opinião dividida sobre o assunto. Alexandro Braz disse que não terá medo de fornecer os dados ao censo, e tem consciência da importância de participar. “Se não ajudar a pesquisa, pode atrapalhar”, disse ele, complementando que se tivesse medo de dar dados não compraria carro nem abriria uma conta bancária.
Os números coletados pelo censo servirão para guiar o governo federal, governos estaduais e municipais e agências comunitárias na distribuição de verbas por região geográfica.
O colega de trabalho de Alexandro, Demétrio Júnior, pensa da mesma forma. Vai fornecer os dados sem medo e sabe que o censo quer saber o número de pessoas. “Provavelmente não causará problema imigratório, não tem autoridade para entregar para a imigração”, disse ele.
Lei garante privacidade
Júnior está certo. Segundo Alexandra Barker, brasileira que trabalha como assessora de imprensa do Census de Boston, a lei federal chamada Title 13 não permite que os dados dos entrevistados sejam fornecidos para agências como o ICE, FBI (polícia federal americana) e CIA (agência de inteligência americana). Ainda segundo Alexandra, as informações não podem ser fornecidas nem mesmo ao presidente americano.
O funcionário do censo que divulgar as informações é condenado a 5 anos de prisão e paga uma multa de $250,000, ainda segundo Alexandra.
Mesmo sabendo disso, um brasileiro residente em Danbury e que prefere não se identificar, disse que não arriscaria. “Confio no país mas ele não confia na gente”, disse ele. O fato de estar em processo de legalização deixa Antônio Marcolino Filho, de Boston (MA) um pouco mais confortável. Mas teria dúvidas caso fosse indocumentado. Quanto ao Title 13, Antônio disse que preferiria consultar o advogado dele.
Ao saber da lei que protege a privacidade do censo, uma brasileira, que também não quis dar o nome, disse que forneceria os dados. Ivanei Pereira também se sente um pouco mais aliviado com o Title 13 mas “lá no fundo tenho medo”. Ele acredita que qualquer imigrante indocumentado terá medo de responder. “Mas se vai trazer benefício, respondo”.
Algumas das comunidades haitianas do sul da Flórida tem medo de que a coleta de dados do censo seja mais prejudicial do que benéfica. Em outras palavras, os imigrantes temem ser mandados de volta para o Haiti no momento em que cooperarem com o censo.