A cidade de New Orleans, capital da Louisiana, está atraindo os brasileiros. Depois da devastação sofrida pelo furacão Katrina, New Orleans assiste à chegada de nossos compatriotas, vindos em busca de mais qualidade de vida e trazendo muita vontade de crescer junto com a cidade. A atmosfera européia, aliada ao clima mais ameno, à boa aceitação dos imigrantes e ao mercado de trabalho podem explicar porque os brasileiros estão buscando novos ares.
Um bom exemplo é o carpinteiro Marcos Pereira, 40, que deixou Somerville, Massachusetts, para trás, e encontrou bem mais estabilidade profissional do que no antigo “lar”. Morando no subúrbio de Metairie junto com a esposa e as filhas Letícia, 5, e Fernanda, 9, Marcos pretende comprar a casa onde mora. “Gosto desta casa, tenho bons vizinhos, adoro morar aqui”, disse o brasileiro.
Antes do Katrina, a cidade abrigava poucos brasileiros. O consulado de Houston, Texas, é o mais próximo do local, mas não sabe o número exato de brasileiros que vivem na área de New Orleans. Estima-se que estejam na faixa de 3.000. O fluxo é grande, com muitas idas e vindas. Muitos são homens que trabalham na área da construção, vindos da Geórgia ou da Flórida.
Vida mais tranqüila
O Reverendo Verbenia Bicalho, da Igreja Pentecostal e proprietário de uma empresa familiar de construção, disse que celebrou 5 casamentos e contou 38 nascimentos de filhos de brasileiros, no ano passado. Os novos moradores gostam do clima agradável, que lembra o Brasil. Além disso, em New Orleans não existe a baixa de emprego típica do rigoroso inverno enfrentado na região da Nova Inglaterra.
A vida na região Nordeste dos Estados Unidos também é mais corrida, na opinião de Evandro Varnier, empreiteiro brasileiro vindo de New Hampshire junto com os funcionários. “Esta cidade é calma, aqui tudo é calmo”, disse Evandro. A mais sensual e européia das cidades americanas também atrai os brasileiros pela sua cultura.
De acordo com a socióloga Elizabeth Fussell não há perseguições da polícia, o que pode explicar o fluxo de brasileiros na cidade. “Os policiais já têm muito trabalho, não é prioridade deles perseguir estas pessoas que já estão contribuindo para a reconstrução da cidade”, disse Fussell.