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Arquivo de família
Polyana de Oliveira, que chegou nos EUA com 2 anos e formou-se em administração no Providence College, voltou para o Brasil devido a falta de documentos para trabalhar.
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Um projeto de lei rejeitado pelo Senado Americano em 2007 voltou a ser introduzido em março passado. Chamada de “Dream Act”, a lei prevê legalizar filhos de imigrantes indocumentados, mediante determinados pré-requisitos. Pais e filhos brasileiros estão agora na expectativa.
Apresentado novamente em 26 de março último, o Dream Act daria a cidadania americana a qualquer pessoa que chegou aos EUA com 15 anos de idade ou menos, tenha vivido cinco anos no país e se graduado no ensino médio, além de ter servido nas Forças Armadas e ter estudado dois anos na universidade.
Imigrantes que tem filhos e sonham com um futuro melhor para eles se animaram com a idéia. Outros como Arlete da Silva ficaram tristes. Se o Dream Act existisse na época em que a filha Polyana de Oliveira, 23, estivesse entrando na faculdade, as coisas seriam bem diferentes. Graças a uma bolsa de estudos integral, a brasileira conseguiu se formar, mas a falta de documentos no país a impediu de arranjar um bom emprego.
Graduada em Administração Internacional pelo Providence College, Rhode Island, a brasileira não viu outra saída a não ser voltar para o Brasil, há cerca de dois anos. “Ela teria muitas chances aqui”, desabafou Arlete.
A jovem Larissa Rodrigues, 18, tem esperanças de aprovação da lei, mas prefere cautela. Lembra dos anos de 2001 e 2007, quando os políticos americanos acenaram com a mesma possibilidade. “Não tenho esperanças de fazer faculdade aqui”, disse, reclamando do tempo de espera tanto da aprovação da Dream Act quanto da reforma imigratória.
O pai dela, Jonas Rodrigues, também não está muito confiante. Mas se a Dream Act for aprovada, ele disse que faz um sacrifício por Larissa e Paulo, 15. Porém, fica preocupado com o fato dele e a esposa precisarem ir embora enquanto os filhos estão na universidade.
Argumentando para convencer os críticos
Ao contrário de Larissa, Janekelly dos Reis, 18, está bastante animada. “É a oportunidade de ter um futuro melhor aqui”, disse ela, confidenciando que ficaria muito triste se tivesse que estudar no Brasil, caso a Dream Act não seja aprovada.
Nos Estados Unidos desde os 14 anos, Gustavo de Souza, 21, considera os estudos muito importantes, e chegou a se empolgar com uma possível volta aos bancos escolares. Neste momento, no entanto, precisa mesmo é priorizar o trabalho, devido à péssima situação econômica. “Se as coisas melhorarem, vou para a faculdade”, afirmou.
No dia em que reapresentou o projeto de lei, o senador democrata Dick Durbin esgotou todos os argumentos. Afirmou que os jovens de hoje são os futuros médicos, enfermeiros, professores e senadores de amanhã. “Não devemos castigar os filhos pelos erros dos pais”, disse ele, que contou com o apoio do republicano Richard Lugar e de outros seis senadores.
A primeira vez que a Dream Act foi apresentado foi em 2001. Sem os votos necessários, voltou ao senado em 2007, para nova reprovação. De acordo com os críticos, o país deve garantir a segurança nas fronteiras, antes de pensar em legalizar os cerca de 12 milhões de imigrantes indocumentados, que são de origem hispânica em sua grande maioria.