A campanha do Grupo Mulher Brasileira (GMB) de Allston, Massachusetts, para auxiliar os brasileiros no questionário do Censo 2010, está rendendo resultados positivos. Segundo a presidente do GMB, Heloisa Galvão, existem ainda alguns mitos em relação ao fornecimento das informações.
Em parceria com a Massachusetts Alliance for Portuguese Speakers (MAPS), o grupo abriu espaço para os brasileiros no programa de rádio, realizado na WESX 1230 AM. Muitas pessoas também vão pessoalmente ao GMB para pedir ajuda no preenchimento do formulário.
De acordo com Heloisa, o primeiro programa registrou 15 ligações. Aos sábados, tem registrado uma média de 8 a 10 ligações. Ainda segundo ela, cerca de 15% das quase 100 pessoas que ligaram até agora disseram que são contra o censo. “Porque acham que não tem nenhuma vantagem em responder o censo”, disse ela.
Ao mesmo tempo em que respeita as opiniões, a equipe tenta explicar as vantagens. Segundo Heloisa, alguns ouvintes já estão com a ‘cabeça feita’. “Ficam batendo no mesmo ponto que não tem sentido”. Por outro lado, ela notou uma mudança de comportamento. “As pessoas moram aqui, tem filhos na escola, vão ao hospital, e não querem responder ao censo? Estas pessoas estão trabalhando contra nossa comunidade”, disse um ouvinte. Na opinião de Heloisa, isto mostra que a falta de respostas de alguns pode prejudicar a outros.
Informação x desinformação
O Censo 2010 chegou a criar a revistinha “Zé Brasil & Tião Mineiro”, escrita numa linguagem super acessível aos brasileiros, para que eles entendam a importância das respostas. O brasileiro que participar estará contribuindo com a distribuição das verbas federais, destinadas a serviços como escolas públicas e hospitais.
Heloisa acredita que a parcela da população que está assustada, no sentido das informações serem levadas para a imigração, tende com o tempo a ouvir e pensar. “Nenhuma informação é trocada com ninguém. Se a imigração quiser vir me pegar, vem, independente de eu responder o censo ou não”.
Sem medo de responder, o brasileiro Alexandre Braz, residente em Connecticut, disse que levou somente dois minutos para preencher o formulário. “Dez perguntinhas simples”, disse. Segundo ele, alguns imigrantes hispânicos disseram que jogariam fora o formulário. “Nem sabem que eu existo aqui”, disse um deles. Para Alexandre, este tipo de pensamento atrapalha.
O medo de responder o censo lembra Alexandro de histórias de alguns amigos, ocorridas há 25 anos. Segundo ele, os brasileiros pensavam que a sirene dos bombeiros era a imigração, e se escondiam embaixo da cama.
Mesmo o resultado não sendo uma ‘enxurrada’, Heloisa está satisfeita. Por conta da campanha do grupo, recebeu ligações de Nova York e New Hampshire. Pessoas que vão ao GMB em busca de informações também servem de termômetro.
Segundo Heloisa, uma notícia no rádio disse que há cerca de 6 estados americanos abaixo da média, em termos de respostas para o Censo 2010, o que para ela não se trata de característica da população imigrante. “É das populações”. Para ela, a responsabilidade do imigrante ao responder o censo deve ser maior, devido à comprovação histórica das melhorias que o imigrante promove nas comunidades. “No censo, temos que fazer nossa parte mais ainda do que a população local”.