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Colunista - Dra. Odilza Vital

Saúde

Saúde e posição da mulher no 3ª milênio - (continuação parte 2)

03/15/2005 02:00:00 PM
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Dra. Odilza Vital

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A sociedade ainda diferencia a criação? Claro que SIM! Menina brinca com boneca e meninos brincam com bola, meninos ficam soltos e meninas têm pais mais vigilantes. A partir do vestibular começa a guerra declarada. É a competição e a partir daí, as mulheres estão cada vez mais nos bancos escolares. Quando eu terminei medicina, no final dos anos 60, minha turma era a turma que mais mulheres tinham em toda a história na faculdade de medicina da UFF. Foi um espanto eram 7 mulheres para 70 alunos, 10%. Hoje em dia esta proporção está de igual para igual 50% das mulheres ocupando os bancos universitários nas faculdades de medicina. Este fato vai levar também a uma competição no mercado de trabalho. As mulheres se diferenciando cada vez mais na área de saúde, mas os homens ainda predominando nas ciências exatas até mesmo pelo que o cérebro deles lhe permite tal. Bem, nós estamos caminhando cada vez mais para uma sede de poder. Do trabalho escravo até uma realização profissional que nós temos, o reconhecimento da sociedade, etc, mas ainda lidamos com uma divisão desequilibrada de bens apenas 10% do dinheiro do mundo está nas mãos das mulheres. As mulheres ainda são menos remuneradas para as mesmas tarefas dos homens, principalmente nos países em desenvolvimento, e que é algo que os grupos de defesa dos interesses femininos devem levar em consideração. As mulheres ainda sofrem assédio sexual, pressão psicológica e emocional com uma freqüência infinitamente maior que os homens. É muito mais fácil dar uma bronca na secretária mulher do que em um secretário homem. De repente até a figura e a força física masculina podem amedrontar. Além disto, ainda sofremos discriminação. Eu venho de uma geração de transição e sofri muita descriminação. Já ouvi duas vezes, de duas pessoas muito influentes exatamente a mesma frase : “- Se a Sra fosse homem a Sra iria trabalhar no meu banco de sangue”, -“Se a sra fosse homem a sra iria trabalhar no meu consultório.” Bom, com toda sede de poder, com toda a conquista nós estamos realmente conquistando, nós estamos ficando realmente poderosas, nós estamos tendo maior independência econômica. Uma coisa que realmente me incomoda é quando chega no meu consultório uma mulher com um chequinho dobrado, com o meu nome, cruzado, assinado pelo marido, aquilo realmente me incomoda e, às vezes, eu me pergunto o que é que aquela mulher teve que fazer, o quanto ela sofreu para conquistar aquele cheque. Status, reconhecimento profissional, se a Associação Comercial do Rio de Janeiro, não tivesse indicado o meu nome para fazer esta palestra, eu não teria fechado o fórum do Mercosul com a mesma. Notoriedade! Temos dado entrevistas em diversos programas de televisão, como Jô, Hebe, etc, rádios como a Nacional e outras, notas em colunas como a de Márcia Peltier, Hilde, Anselmo, Boechat, Estilo, Lou, Denise Garcia, etc... E a mulher continua conquistando espaço, mas eu me pergunto o que nós temos perdido? Você saberá mais na próxima semana. Não percam!!!

Dra. Odilza Vital

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