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Colunista - Dra. Odilza Vital

Saúde

Pais! Salvem seus filhos da obesidade

08/06/2008 01:02:44 PM
Colunista - Dra. Odilza Vital

Dra. Odilza Vital

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Nota da coluna: Embora este artigo já tenha sido publicado há alguns anos resolvemos repeti-lo pela importância cada vez maior do assunto e também pelo pedido insistente de muitos leitores. Há 2 semanas o jornal New York Times mostrou em matéria extensa de primeira página, que crianças e adolescentes estão usando medicações desenvolvidas para adultos, por causa da obesidade excessiva, o que tem levado a taxas alarmantes de hipertensão arterial e diabetes na tenra idade.

Esta é uma mensagem para você, pai e mãe, e enfoca uma questão extremamente importante.
Até onde os pais são responsáveis pela obesidade dos filhos?
Crianças comem o que se lhes apresentam, compram ou empurram, e se vocês são os responsáveis diretos pela saúde e bem estar dos seus filhos o são também pela prevenção da obesidade delas. E o mal se corta pela raiz: a vigilância deve começar desde a tenra idade.
Os pais podem prevenir a obesidade dos seus filhos?
Várias estratégias elaboradas e padrões saudáveis de alimentação devem ser incutidos no seu filho desde bebê.
O crescimento do número de crianças obesas pelo mundo afora é assustador. Não se esqueça da antiga regra que diz: criança obesa é igual a adulto obeso. Nos EEUU por exemplo, considerado país dos obesos, as estatísticas mostram que 11% dos bebês entre 0 e 23 meses estão 95 avos acima da faixa de peso de padrão normal. Pesquisas também revelam que crianças de 2 a 7 anos ocupam a maior parte do seu tempo em atividades sedentárias e quando fazem uma atividade física, esta é leve e por pouco tempo. Raramente a atividade física moderada ou a atividade extenuante. Vocês têm visto ultimamente crianças andando na rua? Não, elas são conduzidas nos carrinhos para conforto dos pais, em detrimento do seu próprio desenvolvimento motor e psicológico.
O tempo dispensado defronte à televisão contribui enormemente para o sedentarismo das criancinhas até dois anos. Pesquisas têm também demonstrado que estes estão passando mais do que duas horas diante da televisão e, o que é pior, bebês que ficam duas horas ou mais nestas condições são aqueles que se acostumam e passam mais do que duas horas diante da TV na faixa etária de dois a 6 anos. Daí vem o vício.
Além do sedentarismo considero a televisão em demasia um elemento desagregador da família. Na hora da refeição as pessoas da casa não se comunicam e muitas vezes vão inclusive para cômodos diferentes. Com tantas opções atualmente pode haver uma separação física da família. Os pais querem ver o noticiário do dia, as mães a novela e os filhos o desenho animado ou o programa infantil.
Bem, ao lado do sedentarismo, o que as crianças comem e como elas comem reforçam também a questão.
Pesquisas têm demonstrado que se tem oferecido alimento com freqüência muito grande para os bebês .

O que as crianças comem?
Há alguns anos houve um escândalo no Brasil quando foram surpreendidas funcionárias dos berçários, que pagas por uma grande indústria de alimentos, ofereciam um tipo de açúcar para os recém-nascidos, para que ficassem viciados no produto.
Em casa cerca de 25% das crianças entre 1 ano e meio e dois anos não comem vegetais diariamente e a batata frita foi o vegetal mais freqüentemente ingerido neste grupo etário. Crianças nesta faixa de idade, que ainda precisam de ajuda para se alimentar, o são de modo rápido e, mal a criança aceita uma colherada, a outra já está à sua frente, o que leva ao péssimo hábito pela vida afora de comer rápido, o que considero um dos fatores mais importantes no desenvolvimento e manutenção da obesidade.
Não se esqueça que o seu filho tem como exemplo você , ou por vezes ainda o que é pior: a empregada!
Se você não colocar as crianças para participar das refeições com você, depois vai ser difícil incutir nelas hábitos polidos.Com quem elas vão aprender a manejar os talheres? Ou usar o guardanapo de modo conveniente?
Muitas vezes os pais reduzem a qualidade do alimento dos filhos porque houve recusas anteriores a outras variedades. Vários trabalhos têm demonstrado que são necessárias até 10 exposições a determinado alimento para que a criança aceite aquele novo paladar. É importante notar que o número de alimentos ingeridos pelo bebê prediz a aceitação da criança na faixa de 6 a 8 anos. É importante apresentar o alimento às vezes maquiado, por exemplo no purê de batatas ou misturado no molho da carne ou mesmo amassado no feijão.
Se para os adultos é importante, para as crianças também o é a forma de apresentação do prato. A comida deve ser modelada, tipo cenouras em bolinhas e ornamentadas, decorando o prato com formato de um bichinho.
O autoritarismo, a pressão para comer determinado alimento ou a permissão da chantagem emocional da criança na hora da comida deve ser evitado. Já vi mãe, avó e pai implorando à criança para comer, incentivando portanto o espírito despótico do pequeno ser.
Limitem o uso de mamadeira por volta de 18 meses. A facilidade que a criança tem de encher o estômago é muito grande. Com rombos grandes no bico forma-se uma via direta mamadeira-estômago e muitas vezes o líquido é ingerido sem a salivação, e a apreciação do paladar fica prejudicada.
Se você não tem um quintal ou playground no seu edifício tente ir ao parque mais próximo ou mesmo passeie com o seu filho andando de mãos dadas com você na rua. Isto proporciona um momento de intimidade do contato físico e permite à criança a descoberta de um novo mundo e a percepção que pode se locomover sem o carrinho. Ajuda a auto-estima e autoconfiança de seu filho.
Bem, se seu filho já está gordinho então devemos admitir que ele está infeliz. Admita honestamente: crianças são sarcásticas e vão direto no fundo da ferida. Pergunte ao seu filho qual é o apelido que lhe colocaram no colégio? Tenho certeza que ele não gosta. Eu já passei por isto! Traz complexo de inferioridade e sentimentos de rejeição.

O que podemos fazer para resolver o problema?
Corte bebidas açucaradas e refrigerantes. Deus colocou na face da Terra a água para bebermos!
Não compense seu filho com chocolates e doces e corte as frituras pesadas.
Aumente a quantidade de vegetais e de frutas frescas de sua alimentação.
Não permita e também não coma no carro.Tente limitar a ingestão de alimentos às horas de refeição apenas que devem ser de 5 a 6 por dia.
Deixe que as crianças se sirvam sozinhas, exercitando o pensamento de quanto elas estão precisando comer.
Estimule atividade esportiva e mesmo a dança.
Bem, agora diretamente para você pai e mãe! Quantas porções de frutas e vegetais você come por dia?
Você faz atividade física de rotina?
Você está fazendo as suas refeições com as crianças à mesa?
Conselho final: tenha apenas um aparelho de televisão na casa e na sala de estar, fora do ambiente das refeições.

Doutora Odilza Vital é médica endocrinologista, geriatra e estéta, além de cosmetologista em NYS. Ela escreve semanalmetne para o comunidade News.
www.odilzavital.com

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