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Colunista - Dra. Odilza Vital

Saúde

Câncer de mama

09/14/2004 06:00:00 PM
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Dra. Odilza Vital

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Apenas 10 a 15 % dos casos são de origem genética, isto é, com forte história familiar, e aproximadamente 75% das mulheres com marcador positivo para a doença, desenvolvem a mesma. Se o estilo de vida não interferisse, 100% das mulheres com BRCA1, BRCA2 positivos deveriam ficar doentes. Estes dois genes são supressores tumorais e protegem as células de se dividirem anormalmente. Segundo pesquisa,uma mulher com alterações nesses gens pode ter um risco quatro vezes maior de desenvolver câncer de mama do que o resto da população. Soma-se ao fato o ambiente em que ela vive ou trabalha. Em estudo sobre o câncer de mama em mulheres imigrantes, Kliewer e Smith, afirmam que aquelas que chegam aos Estados Unidos oriundas de países de baixa incidência de câncer de mama, rapidamente aumentam seu risco até valores comparáveis as mulheres americanas, independente de sua história familiar. O fato acima sem dúvida alguma comprova que outros fatores além da genética influenciam as estatísticas e que alguns podem ser corrigidos, prevenindo desta maneira, essa doença que tanto assusta as mulheres. “É evidente que o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama aumenta dramaticamente com a idade” como na maioria dos outros cânceres, afirma. Marshall, em artigo para a revista Science. De acordo com artigo publicado por Brínkton e Kelsey, a idade da menarca também é importante, assim como a da menopausa, isto é, o período que uma mulher fica exposta ao estímulo estrogênico, principalmente se for sintético, em fase precoce da vida, como se vê na atualidade. Estudos de Giddens-Herman, apontam que é de grande importância o fato do uso precoce das pílulas anticoncepcionais. Fator ainda mais agravante é que a idade da menarca tem diminuído consideravelmente por conta do estimulo ao sexo, através da mídia. O artigo de Petrakis mostra que a gravidez e principalmente a lactação, têm ambas efeito protetor, pois a gravidez amadurece as células, tornando-as menos vulneráveis aos agentes carcinogênicos enquanto que na lactação há um bloqueio hipotalâmico e por consequência ovariano na produção de estrogênios. Em pesquisa sobre as causas do câncer de mama, publicada na revista Nature, Willet afirma que a idade da menopausa também é importante,pois quanto mais tardia, maior a exposição e risco, principalmente numa fase em que outros fatores importantes já influenciam enormemente. Fora estas considerações de situações genéticas e fisiológicas quase que inevitáveis, a interferência de outras variáveis pode fazer a diferença. Os estudos clínicos de Paffenbarger, Pike, Harris, Meirík, Lipnick, McPherson e Kay apontam que deve-se evitar o uso de pílulas anti concepcionais em mulheres adolescentes, ou tanto quanto possível em qualquer faixa etária, pois o período de exposição ao estrogênio e progesterona sintéticos aumenta o risco de câncer de mama. Quanto mais precoce o uso da medicação, maior o risco. A solução seria o uso de métodos mecânicos, como o preservativo masculino e feminino, o diafragma, principalmente se usado com algum espermicida ou o DIU. Pesquisa recente conduzida pela Universidade de Oregon, mostra que mulheres de maior nível de escolaridade consideram que os hormônios naturais são mais seguros, trazem menos efeito colateral e são mais efetivos para tratamento a longo prazo e o estudo clínico desenvolvido pela Divisão de Ciência e Saúde Pública da Universidade de Washington, Seatíle, mostrou que a terapia de reposição hormonal a longo prazo, com hormônios sintéticos aumentam em até quatro vezes o risco para o tipo lobular de câncer de mama. A monitorização do progesterona no período da pré e peri-menopausa é extremamente importante, pois é nessa fase que a mulher perdendo o seu segundo hormônio (progesterona) por deficiência do corpo lúteo ou da ovulação fica mais vulnerável a desenvolver esta doença. Esses fatores são citados por Jordan, em artigo publicado na revista Câncer, e Stanford e Thomas, em artigo na Epidemiologic Reviews. Deve-se evitar bebida alcoólica, pois vários trabalhos como o de Smith-Warner mostram estreita associação entre álcool e câncer de mama em mulheres. Com amostragem bastante significativa e acompanhamentos por mais de 10 anos, pesquisas demonstram que a bebida alcoólica independente do tipo aumenta a incidência de câncer de mama nas mulheres na fase pré e pós-menopausa, e o aumento do risco está diretamente relacionado ao consumo. Gavaler e Van Thiel, e Reichman deduzem através de seus trabalhos que a ingestão de bebida alcoólica na juventude aumenta o risco da doença na maturidade, pois o álcool interfere na metabolização hepática dos estrogênios, estimula a produção de prolactina que é fora dalactação é componente cancerígeno, e inibe a liberação de melatonina que além de estimular o sistema imunológico, modula os efeitos do estrogênio em nível de receptor. Hueper mostra em diversos artigos que as próteses mamarias envolvidas com espuma de poliuretano também aumentam o risco para a doença, pois esta substância em contato com os tecidos locais se transforma em 2,4 - diamino tolueno, que é a mesma substância dos corantes de cabelo que foram removidos do mercado em 1972. Fato que prejudica ainda mais as mulheres com prótese é que a avaliação rotineira e habitual pela mamografia só pode ser feita por técnico bem experimentado que deve deslocar a prótese do tecido glandular para poder fazer a imagem. Outra possibilidade que é inacessível a muitos é a ressonância magnética. Labarth, Armstrong e Heinonen afirmam que deve-se evitar todo e qualquer tipo de droga (medicação) em longo prazo. Como afirmam Martinez, Haraguchi, Smithline, Ingram, OIsson, Williams, Kaufman, Newman e Danielson em artigos publicados certas substâncias usadas no tratamento da hipertensão arterial, certos antibióticos, assim como certos tranquilizantes e antidepressivos, quando utilizados por períodos prolongados de tempo, aumentam a incidência para o câncer de mama em seres humanos ou em animais de laboratório, o que desaconselha completamente este procedimento. A prática de atividades físicas como, por exemplo, a caminhada, e o controle do peso com restrição de carboidratos e das gorduras, podem tornar possível à suspensão gradativa de antihipertensivos, assim como atenua o stress e a depressão - e ainda mais, reforça o sistema imunológico, livrando o organismo de fungos e bactérias. Na verdade, diversas pesquisas têm mostrado que a atividade física rotineira diminui a incidência de câncer de mama, assim como do colesterol total, aumenta o HDL, que é a lipoproteína de alta densidade que não oxida na parede das artérias. O controle do peso também e a atividade físico rotineira, vão atingir as tensões e diminuir a sintomatologia de hérnia de hiato, principal responsável pela sintomatologia da pirose e da epigástrica. Tratamento alternativo, que além de melhorar os sintomas, vai permitir o consumo de vegetais pertencente á família das crucíferas que comprovadamente tem efeito protetor ao câncer de mama. A obesidade que em nosso meio, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, está aumentando assustadoramente, normalmente na faixa etária mais jovem - crianças e adolescentes - definitivamente aumenta o risco para o câncer de mama, que tem uma relação direta com o excesso de peso. O consumo exagerado de alimentos processados e de fast-food repletos de substâncias químicas e conservantes e frituras pesadas. O sedentarismo, gerado principalmente pelo hábito nocivo de horas defronte à televisão ou computador, sempre com alguma coisa na mão para comer, é um grande aliado da obesidade. Dados estatísticos coletados nas últimas décadas mostram que a obesidade aumenta o risco para o câncer de mama, no período da menopausa, em até 50 a 100 por cento. Este percentual aumenta cada vez mais com o passar do tempo e se existem outros fatores de risco, tais como, história familiar, e gravidez tardia, o aumento do risco pode chegar em até 600%, segundo estudo de Sellers. Sabemos que a nossa gordura tem capacidade de produzir estrogênios a partir de outros hormônios. Quanto maior a quantidade de gordura, maior o risco, segundo Zi?er. Além disso, a obesidade interfere muitas vezes na ovulação, fazendo com que a mama fique sem a proteção de progesterona. O tecido adiposo metaboliza malos estrogênios, produzindo uma quantidade maior de 16 a OH estrona, conhecidamente o hormônio cancerígeno, e diminui a ligação do hormônio com a proteína, o que expõe ainda mais o tecido mamário, de acordo com artigo de Madigan. Acredita-se que o conteúdo de gordura saturada da alimentação esteja diretamente relacionada com o câncer de mama. A gordura de origem animal está carregada de contaminantes, como pesticidas, agrotóxicos e hormônios que são em sua maioria substâncias lipossolúveis e, portanto concentram-se no tecido adiposo do animal. Na realidade não é a gordura animal que aumenta o risco para essa doença, mas sim o que está na gordura, diz Boyd em artigo publicado no Journal of the National Câncer Institute. Os contaminantes dos alimentos que afetam o tecido glandular mamário podem ser classificados em 5 categorias: a) Carcinogênicos - que atuam diretamente no DNA provocando o câncer. b) Pseudoestrogênicos - que agem como o hormônio feminino ao nível de receptor, embora sejam estruturalmente diferentes. c) Poluentes industriais - oriundos principalmente das embalagens de plástico e do revestimento interno que se dá ás latas. d) Os hormônios administrados nos animais, para que de maneira rápida, ganhem peso mínimo para o abate. e) Substâncias químicas que contaminam ou com que são tratados os alimentos, como o cloreto de metileno (para descafeinar o café até a pouco tempo) e hidrocarbonos aromáticos policiclicos nos peixes e frutos do mar de estuários, e carnes churrasqueadas. A alimentação deve basear-se em grãos, legumes, frutas frescas, vegetais folhosos, principalmente da família das crucíferas, que contém uma substância antioxidante, altamente protetorapara a mama, que é o indol - 3 - carbinol, frutos secos como nozes, macadâmia, castanha do Pará e sementes, como a de abóbora, sesame e linhaça, rica em ácido linoleico. Soja e derivados, são extremamente importantes, pois existe uma relação inversa entre o consumo de soja e câncer de mama, comprova estudo de Zava e Duwe. Além de predispor a obesidade e a uma série de outras doenças, o sedentarismo também predispõe a todos os cânceres ginecológicos. Várias pesquisas, como a de Berstein, publicadas no Journal of the National Câncer Institute têm mostrado que apenas quatro horas de exercícios por semana, já reduzem em 60% a incidência do câncer de mama. A atividade física, principalmente ao ar livre, além de estimular a produção do 2 alfahidroxiestrona - o estrogênio protetor de mama, permite modular melhor o estresse, aumenta a produção de melatonina à noite, a formulação da vitamina D3 na pele sob o efeito de luz solar que é anticancerígena e reduz a prostaglandina E2 que é cancerígena. De acordo com artigo de Bertell para Mothering, a ligação entre irradiação e câncer de mama é muito forte. Em artigo publicado no New England Journal of Medicine, Wanebo afirma que, milhares de mulheres que sobreviveram às bombas atómicas de Hiroshima e Nagasaki, tiveram alta incidência de câncer de mama principalmente o grupo mais jovem. Outra evidência dessa ligação envolve o uso da irradiação na medicina. No passado a irradiação era usada não só para diagnóstico quanto tratamento de diversas doenças com resultados desastrosos, aumentando o risco de câncer, principalmente em fase precoce da vida como, a irradiação do timo do recém-nascido e crianças submetidas a fluoroscopia. Irradiação do couro cabeludo para tratamento de fungos e irradiação do tórax para tratamentos de Hodgkin. Como mostram os artigos publicados por Janowere Miettinem, Mac Kenzie , Modan, e Batta. É importante dosar de maneira criteriosa o custo benefício de submeter uma criança à irradiação mesmo que para meio exame. Do mesmo modo, a mamografia deve ser feita apenas a partir dos 40 ou 50 anos com frequência mínima de um ano, aconselhada em fase mais precoce no grupo de maior risco, com história familiar positiva de parentes próximos e deve começar a ser feita 2 anos antes que a doença se manifeste em membros da família. A grande aliada é a ultra-sonografia que completa a avaliação de imagem e permite nas mamas densas, o exame na terceira dimensão. Embora eleve as chances de câncer de mama, a mamografia permite o diagnóstico precoce da doença, o que permite melhor evolução. Do mesmo modo a irradiação ambiental, também aumenta o risco para o câncer de mama, como a proximidade de cânulas eletromagnéticas de estações de eletricidade. Integração corpo, mente e espírito. A psiconeuroimunologia é uma ciência nova baseada num conceito crucial. Nossa mente e emoções influenciam profundamente nossa saúde física. Acredita-se que a sensação do estresse, ansiedade, depressão e sentir-se sem esperança contribuem para o câncer e outras doenças. Há quase 2000 anos, Galena, médico grego percebeu que o câncer parecia afligir a mulher melancólica mais frequentemente do que a alegre. Na verdade, vários estudos, como o de Visintainer têm mostrado que Galeno tinha razão. O sistema imunológico desempenha o papel fundamental na correlação entre câncer e emoções. A produção excessiva de cortisol nos períodos de grande tensão emocional, de acordo com Riley, diminui a multiplicação dos linfócitos e o timo onde eles são programados. Com o sistema imunológico deficiente, o organismo torna-se mais vulnerável ao câncer. A melhor maneira de combater o estresse se faz pelas vias naturais, como atividade física, meditação, a fé, participar de grupos de apoio, e se necessário á psicoterapia de apoio.

Dra. Odilza Vital

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