O casal de aventureiros Marília Müller e Ocimar Coelho finalmente chegou ao Brasil. Eles deixaram Danbury, Connecticut, em 29 de dezembro último, e enfrentaram várias dificuldades até chegar a Cabo Frio (RJ). Apesar de tudo, o casal faria novamente a viagem.
Os brasileiros pretendiam chegar no final do mês passado. Mas várias dificuldades e imprevistos serviram de impedimento para que eles cumprissem o prazo. Felizes, os dois agora se adaptam aos poucos à vida brasileira, depois de tanto tempo longe de casa.
Por telefone ao Comunidade News, Marília contou que foi preciso ficar 10 dias no Panamá, a fim de enviar o carro para a Colômbia. Segundo ela, o navio sai somente uma vez por semana. A localização perigosa do porto fez com que o casal fosse para um hotel 5 estrelas. Muito caro, porém mais seguro, o hotel faz parte de duas quadras de hotéis onde se hospedam muitas pessoas que fazem cruzeiros.
Com o carro finalmente embarcado, os dois pegaram o avião rumo à Colômbia, e chegaram no país ao mesmo tempo que o carro. “Foi tudo muito simples”, disse. Apesar disso, Marília admite que a emissão dos papéis, feita em lugares diferentes e distantes uns dos outros, tomou um dia inteiro. O casal chegou ao país antes das 8am e terminou o processo quase às 4pm. Segundo Marília, não foi preciso dar propina a ninguém, como aconteceu em Honduras.
Depois de dois dias na Colômbia, Marília e Ocimar seguiram viagem para o Equador, considerado por ela um dos melhores lugares da viagem. “Muita polícia do exército pelas estradas”. A brasileira confidenciou que tinha medo de enfrentar grupos como as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC). O grupo é famoso por sequestrar estrangeiros e mantê-los durante anos em cativeiro. “Tinha medo das pessoas acharem que éramos americanos”.
A educação dos policiais e a simpatia das pessoas no Equador chamou a atenção de Marília, bem como o baixo preço do diesel e da gasolina. “Foi o lugar mais barato por onde passamos”. No Peru, onde o combustível é mais caro, o carro do casal estragou. Segundo ela, lá é tudo muito deserto. “Só se vê pedra, areia e o mar muitas vezes. Muita pobreza, você vê aquelas casinhas bem pobres na estrada, bem humildes”.
Num posto de gasolina, localizado em um vilarejo, o carro não pegou mais. A cidade mais próxima estava a 45 minutos do lugar. Sozinho e de moto, Ocimar foi buscar duas correias, mas precisou voltar à cidade. A demora do marido preocupou Marília. Com muito frio e medo, ela quase chamou a polícia. Segundo ela, é preciso pagar a polícia no Peru para obter qualquer ajuda. Às 9h30pm, finalmente, Ocimar apareceu. Por volta da meia-noite e meia, os dois chegaram ao hotel.
O casal pretendia ficar somente uma noite na Bolívia. Por causa de informações erradas, os dois não conseguiram chegar até San Jose para sair em Corumbá (MS). Acabaram pegando a saída para San Inácio, a qual dava em Cáceres. “Caímos numa estrada de barro”. Para rodar cerca de 290km, o casal levou quase 11 horas. A boa noite de sono em San Inácio deu fôlego para dirigir um dia inteiro – 320 km – até cruzar a fronteira com o Brasil, à noite. A velocidade era de 20km/hora. “Era muito buraco”.
Torcida de alegria
No dia 31 de janeiro, Marília e Ocimar entravam no Brasil. A sensação de estar no Brasil foi de total alegria. Segundo ela, a Polícia Federal e a imigração ficaram até admirados em saber que os dois estavam chegando dos Estados Unidos. “Não nos revistaram, até tiraram foto com a gente”. Apesar de nosso país ter um histórico de violência, os dois se sentiram seguros. “Era nossa língua, nosso povo. Ali era mais fácil”.
Segundo Marília, ela e Ocimar enfrentaram bastante medo no trecho da estrada de barro. “Deus mostrou muita coisa”. As orientações de todos foram seguidas à risca. Marília confidenciou que chegou a ter medo de ter o quarto do hotel invadido em Honduras.
O roteiro seguiu até Minas Gerais e finalmente se cumpriu em Cabo Frio (RJ), no dia 4 de fevereiro. A torcida de todos estava acompanhada de apreensão. Quem não sabia da aventura do casal considerou a viagem uma verdadeira loucura. “Foi uma festa danada”.
Segundo Marília, ela e o marido fariam de novo a mesma viagem. “Pretendemos fazer outra, mas diferente. Passeando, sem cachorro e sem ter as coisas que trouxemos. Só bagagem de roupas mesmo, coisas essenciais. Inclusive conhecemos pessoas canadenses e alemães que estavam passeando durante um ano”. Ela aconselha a viagem mas como passeio, e em dois casais.
Agora, os dois só querem curtir o Brasil, observando de longe o inverno americano. O casal quer montar um negócio próprio. Antes disso, vai trabalhar com o irmão de Marília, que é advogado, e com a irmã dela, que é médica. Os dois filhos adultos da brasileira ainda moram em Danbury. Mas se o gostinho de estar no Brasil for muito bom, Marília e Ocimar não voltam para os Estados Unidos. “Estamos com bastante gás para ficarmos por aqui”.