Até o meio-dia da segunda-feira (7), no mínimo cinco suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha que fraudava vistos de trabalho para os Estados Unidos haviam sido presos na capital paulista. Onze prisões já foram efetuadas em outros estados, e a polícia buscou ainda provas nos Estados Unidos.
Segundo notícia publicada no site G1, a denúncia foi feita pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa do consulado, a quadrilha trazia brasileiros aos EUA para trabalhar em situação irregular. Comandada pelo Ministério Público Estadual e por polícias civis de cinco estados, a Operação Anarquia pretende cumprir 19 mandados de prisão.
De acordo com o consulado americano, a atuação da quadrilha data de 2002, quando iniciaram as concessões falsas de vistos de trabalho temporário. Acusadas de formação de quadrilha e estelionato, as onze pessoas presas são de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A investigação procurou também por provas nos Estados Unidos e cumpriu dois mandados de busca e apreensão no Mato Grosso.
Os presos tem ligação com duas agências recrutadoras de brasileiros para trabalhar em hotéis no país, preenchendo vagas em que os americanos não apresentam o mínimo interesse. A informação foi divulgada em reportagem do Jornal Hoje.
Sonho acabou em pesadelo
O consulado americano calcula que o golpe vitimou pelo menos 4,5 mil brasileiros. Nos últimos seis anos, 9 mil pessoas solicitaram o visto temporário de trabalho. Destas, metade foi vítima da fraude. A promessa de emprego acontecia somente depois do pagamento de até $15 mil. Em sete anos de atuação os criminosos teriam faturado a bagatela de R$90 milhões.
Segundo a promotora Aline Zavaglia Alves, muitos dos lesados voltaram para o Brasil através do México e da Argentina, pedindo inclusive dinheiro para a família no Brasil. “Mas eles não tinham muitas vezes recursos para voltar, ficando nos EUA de maneira ilegal”, disse ela.
As irregularidades foram detectadas pelo consulado americano no ano de 2003, quando iniciaram as investigações. Cinco anos mais tarde o Ministério Público era acionado. A Secretaria da Segurança Pública designou um agente para se infiltrar no esquema. Para desbaratar o esquema houve cooperação jurídica internacional, queda de sigilo fiscal e bancário e interceptações telefônicas.
As prisões preventivas foram decretadas depois que os alvos da investigação se tornaram réus no processo. O Ministério Público ofereceu denúncia criminal contra eles. Em um despachante da Zona Sul de São Paulo foram apreendidos computadores e documentos. Segundo o consulado, o Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal é que permitiu a operação conjunta entre os dois países.
A Operação Anarquia teve ainda o trabalho da Secretaria de Segurança Pública e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da Receita Federal e do Poder Judiciário.
Através do e-mail gaeco.guarulhos@mp.sp.gov.br, as vítimas do golpe podem entrar em contato com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Quadrilha presa por fraudar vistos para os EUA usou brecha na lei, diz promotora
A promotora de Justiça Aline Zurca Zavaglia afirmou na tarde desta segunda-feira (7) que os agenciadores suspeitos de vender contratos ilegais de trabalho encontraram uma brecha na legislação americana para aumentar o número de vagas de trabalhadores brasileiros temporários e assim ficar com parte do dinheiro pago por esses contratos. Onze pessoas foram presas por suspeita de participar do esquema. Sete réus, do total de 18 no processo, estão foragidos. “Apenas um [dos foragidos] é cidadão americano. Os outros são brasileiros”, informou Aline, durante coletiva no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
De acordo com a promotora, o Congresso norte-americano prevê que existam vagas para trabalho temporário a estrangeiros. No entanto, os agenciadores aumentavam esse número de postos para ficar com o dinheiro dos candidatos excedentes.