O chefe de operações da 15ª DP (Gávea), Alexandre Estelita, afirmou na manhã desta quarta-feira que a equipe da Polícia Militar "falhou" ao deixar de preservar o local onde o filho da atriz Cissa Guimarães foi atropelado na madrugada de ontem (20) no túnel Acústico, extensão do Zuzu Angel, na Gávea, zona sul do Rio.
Estelita diz que o suposto erro dos policiais "dificulta a apuração pericial" para confirmar se o jovem foi atropelado por um veículo que disputava "pega".
"Eles pararam os veículos, mas não se sabe o motivo deles não terem levado o autor do atropelamento até a delegacia. O dever deles era preservar o local, encaminhar o autor pra delegacia para as providências serem tomadas no âmbito da polícia judiciária. Isso eles não fizeram e incorreram numa falha", disse à Folha o chefe de operações da delegacia da Gávea.
O porta-voz da PM, capitão Ivan Blaz afirmou hoje que foram os PMs que constataram --através da verificação preliminar do local do crime-- os primeiros indícios do atropelamento depois de já terem abordado e liberado os suspeitos. Os policiais em seguida encaminharam as informações para a Polícia Civil
"A abordagem dos policiais aos motoristas foi realizada a cerca de 7 km da saída do túnel, na altura da rua Padre Leonel Franco. Naquele momento, os policiais não tinham ciência do atropelamento. A olho nu o veículo não apresentava nenhum indício de que havia sido instrumento de cometimento de crime, além de não apresentar nenhuma alteração documental". disse à Folha o porta-voz da PM.
A PM informou que, mesmo com os carros vistoriados, os policiais não suspeitaram que um dos veículos estava com sangue. "Um dos carros estava levemente amassado, mas vários carros circulam assim na cidade. Um carro preto, num local de baixa luminosidade.. a olho nu não haveria possibilidade de identificar isso [sangue no veículo]", afirmou Blaz.
O motorista do veículo que atropelou a vítima, Rafael de Sousa Bussamra, 25, o do Civic, Gabriel Henrique de Souza Ribeiro, 19, e Gustavo Miraldes Bulus, 19, passageiro no carro, se apresentaram à polícia no início da noite.
Em depoimento, Bussamra confessou ter atropelado Rafael, mas negou ter fugido sem prestar socorro. Disse que, do celular, ele e os amigos tentaram chamar uma ambulância. A delegada Barbara Bueno, porém, afirmou que não houve omissão.
ATROPELAMENTO
Por volta de 1h, a entrada do túnel Zuzu Angel em São Conrado havia sido bloqueada por um caminhão-reboque para o início dos serviços de manutenção. A galeria no sentido inverso estava aberta.
Ligando as galerias há quatro saídas de serviço, usadas em emergências. É proibida a passagem de carros.
Nos depoimentos, os três ocupantes dos veículos disseram que seguiam para a Barra da Tijuca (zona oeste), onde moram, quando resolveram voltar para a zona sul em busca de um restaurante. Decidiram tomar uma das saídas de serviço --alegaram não saber que o sentido oposto estava fechado.
Os amigos que acompanhavam Rafael afirmaram que os carros estavam em alta velocidade. Segundo os skatistas, com o impacto, Rafael foi jogado a quase 60 m. No depoimento, Bussamra negou que estivessem fazendo "racha" e afirmou que estavam a 80 km/h.
Ele disse ainda ter sido parado por um carro da Polícia Militar e afirmado aos PMs que só iria à delegacia com um advogado. Teria sido, então, liberado com o compromisso de apresentar-se.
Rafael foi levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. Com uma série de fraturas, passou por cirurgia, mas morreu às 8h de hemorragia interna e politraumatismo. Muito abalada, Cissa Guimarães passou parte do dia no hospital.