Por muitas décadas milhões de brasileiros brincaram com a famosa frase “o Brasil é o país do futuro.” A brincadeira acabou, e a frase já pode estar defasada. Isso porque os números sugerem que o Brasil é um dos países que mais crescem no presente.
Segundo estatísticas do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP), só o setor imobiliário vai receber R$ 202 bilhões em investimentos em 2010, um salto de US$ 30 bilhões em relação a 2009. O Sinduscon-SP avalia ainda que a construção civil deverá crescer 8,8% no ano que vem.
Só os financiamentos feitos pela Caixa Econômica Federal até novembro possibilitaram que 756.507 famílias comprassem sua casa própria. Desse total, 42% estão na faixa de renda de até cinco salários mínimos. O valor médio financiado hoje na CAIXA é de R$ 69 mil.
“A prova do momento positivo do Brasil está no retrospecto dos negócios feitos no ramo imobiliário no país nos últimos 3 a 5 anos. A valorização média dos imóveis, entre a compra na planta e a entrega das chaves, é de 30%. Em algumas cidades brasileiras, como na serra capixaba e em Ipatinga (MG) a rentabilidade chega a 90%,” disse Tony Rodrigues, diretor presidente da SBVenue, uma empresa de Massachusetts especializada em investimentos imobiliários que tem crescido entre 20 e 35% ao ano.
O anúncio do Rio de Janeiro como a sede das Olimpíadas de 2016 provocou uma corrida inicial por pontos comerciais na cidade. Segundo um relatório “Global Office Rents,” da empresa do mercado imobiliário CB Richard Ellis, nos últimos 12 meses o preço dos aluguéis de escritórios subiu 12,1%. O Rio é a 12ª região do mundo com maiores preços de aluguéis de escritório - com preço médio de US$ 942 por metro quadrado por ano - e a mais cara da América Latina.
“Este é o momento certo para se comprar no Brasil. Nos próximos anos muito será investido em infraestrutura, segurança, transporte, educação, entre outras áreas de interesse social,” disse Chieko Aoki, a presidente do conselho de administração da Blue Tree Hotels.
De fato, o Sinduscon-SP calcula que os investimentos públicos e privados no Brasil deverão chegar perto de 20% do PIB do país. E esse investimento já está se traduzindo em vendas de imóveis. Até 30 de novembro último, a Caixa recebeu 2.763 propostas, o que corresponde a 567 mil novas moradias.
Para Chieko, as aplicações mais vantajosas vão desde shopping centers, condomínios residenciais, segunda casa, condo-hotéis e escritórios profissionais.
“Ao adquirir um imóvel, hoje o investidor tem a garantia do seu valor de mercado e ainda pode utilizá-lo para alugar para pessoas que irão utilizar como moradia,” acrescenta ela.
Já o Grupo Plaenge, que segundo o Ibope é a maior construtora do Sul do país, também está se preparando para o crescimento alavancado pela Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
“Enviamos dois diretores à África do Sul, local da realização da próxima copa, para melhor entendermos o significado disso para um país,” disse Alexandre Fabian, diretor geral do grupo.
Como prova de que vale a pena se paparar para esses eventos de proporções mundiais, Fabian diz que em Cuiabá, uma das cidades sedes da Copa no Brasil, os empreendimentos da Plaenge já valorizaram cerca de 35%.
Mas será que todo esse progresso será capaz de fazer o investidor americano olhar para o Brasil com mais carinho?
“Com a estabilidade econômica houve e está havendo um aumento na inclusão social no Brasil,” responde Rodrigues, da SBVenue, que tem 23 anos de experiência no ramo da construção e engenharia civil e negócios.
“Além disso, o aumento no acesso ao crédito aqueceu o mercado e baixou os custos da construção. Ou seja, se o americano quiser comprar no Brasil ele fará um investimento seguro porque ele terá valorização do seu imóvel, e hoje há público ávido a comprar, se ele precisar vender,” concluiu ele.