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Reprodução Diário da Manhã
Governador Alcides Rodrigues, embaixador Oton Agripino Maia e chefe da Assessoria Internacional, Elie Chidiac, durante o Itamaraty Itinerante.
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Dos 300 mil goianos que moram no exterior, 70% estão em situação irregular, revela a Assessoria Internacional para Assuntos Especiais do Governo do Estado de Goiás. Os dados foram divulgados durante o chamado Itamaraty Itinerante, presente pela primeira vez no estado e realizado na sexta-feira (11).
Segundo matéria publicada no Diário da Manhã, 210 mil é o número que representa os goianos sem documentos legais. Estima-se que 150 mil vivam nos Estados Unidos, a maioria distribuída pelas cidades de Nova Iorque, Boston, Miami, Atlanta e São Francisco. O documento revela ainda que 20 mil goianos devem voltar para casa, até o final do ano. Ainda segundo o relatório, a média de goianos deportados por dia é de três para cada dez brasileiros deportados.
A iniciativa da Assessoria Internacional foi aplaudida pelo Embaixador Oto Agripino Maia, da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior. “É um reconhecimento e tanto do trabalho realizado em Goiás, sobretudo do governo do Estado, o único que tem um trabalho estruturado a compatriotas”, disse ele. Entre as autoridades presentes estavam o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, e o chefe da Assessoria Internacional, Elie Chidiac.
Criada no ano de 2000, a Assessoria Internacional presta assistência consular às famílias de goianos no exterior. A presença do expressivo número de imigrantes ilegais nos EUA, Inglaterra, Espanha e Portugal fez do Brasil referência neste trabalho pioneiro. Por causa da experiência-piloto em Goiás, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) pensa agora em implantar o projeto em outros estados brasileiros. Segundo dados do Itamaraty, somente nos Estados Unidos vivem mais de 1,2 milhão de brasileiros.
Economia e pânico impedem legalização
Uma das ações da Assessoria Internacional é o pagamento de quase 60% do transporte funerário para Goiás, efetuado pelo chefe do Executivo estadual. Segundo o estado, morreram 25 goianos no exterior somente no ano passado, e 15 mortes já ocorreram neste ano. Na opinião de Chidiac, o encontro foi positivo e estreitou as relações entre governo federal e estadual. “À medida que autoridades percebem as dificuldades das colônias brasileiras no exterior, mais políticas de apoio podem ser criadas em busca de melhores condições de vida para esses imigrantes”, destacou ele.
O embaixador Oto Maia declarou que o maior problema dos brasileiros no exterior é a regularização. Segundo ele, países da Europa e os EUA podem ser considerados inegociáveis, quando se trata de legalizar o brasileiro. “Quanto a esse assunto podemos trabalhar com países sul-americanos, como o Paraguai e a Bolívia”.
Ainda segundo Oto Maia, é difícil regularizar os brasileiros no exterior por conta da falta de um acordo formal. “Na emigração não existe Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Não existe a circulação de gente como existe a circulação de produtos”, disse ele, comparando negociações comerciais e financeiras. Segundo ele, a questão imigratória é vista como soberania nacional em cada país.
“Essa questão poderia ser flexibilizada, mas isso não acontece por causa de crises econômicas internacionais. Um nativo não quer perder o trabalho para um imigrante. Temos também o terrorismo, que gerou uma crise de pânico internacional”.