O Youth Revolution é um movimento criado há menos de um ano para unir a juventude das igrejas evangélicas de Danbury. O idealizador da idéia é Rafael de Souza, 25 anos, membro da Comunidade Logos. O evento acontece a cada dois meses, em igrejas diferentes. O próximo será dia 18 de julho, na Logos. Ele falou um pouco para a coluna Boas Novas sobre essa revolução que a “galera” de Deus vem fazendo na cidade.
Como surgiu o Youth Revolution?
A união dos jovens evangélicos na cidade já se tentou fazer antes. Não deu certo porque a gente tentou fazer por conta própria. Com a criação do Compas (Conselho de Pastores de Danbury), vimos que era a hora de começar algum trabalho com os jovens. Procurei o pastor Eli, presidente do Compas na época, e disse que a gente precisava fazer alguma coisa para a juventude. O pastor Ophir sempre cobrou isso da gente, dizendo que a gente precisava realizar uma união jovem. Os pastores abençoaram a idéia, então marcamos a primeira reunião com os líderes de jovens e tudo começou.
Toda revolução obedece um ciclo, que acaba ao atingir o seu objetivo. Qual o futuro do Youth Revolution?
Uma revolução é o que a gente mentalizava para a realidade da nossa juventude aqui na cidade, e revolução é feita por pessoas inconformadas, para quebrar um sistema. O que é isso: é a gente sair do “cada um por si e Deus por todos” e tentar, de alguma forma, criar uma maneira de trabalhar juntos. As igrejas são diferentes, mas cremos que todas servem ao mesmo Deus. Onde vai terminar? Vamos criar um impacto local, depois apoiar ministérios na cidade com menor estrutura, ou que estão começando. Vamos usar o jovem para alcançar a vida de outro jovem. A gente tem visto que quando o jovem prega, quando faz o louvor, o teatro, ele se associa melhor com o que está ouvindo. Depois vamos para retiros, para as ruas evangelizar, fazer trabalhos comunitários.
O sucesso desse movimento depende do apoio de todas as igrejas. Isso está acontecendo na medida que você esperava?
Tem até superado as minhas expectativas. Os pastores têm acreditado e confiado no nosso trabalho. Tem três igrejas apenas que ainda não estão participando conosco (Avivamento, Filadelfia e Koinonia), mas durante os cultos que estamos fazendo, alguns jovens delas vêm. Isso é mais por um problema de comunicação. O líder da igreja do Avivamento já participou da última reunião que tivemos e do pic-nic que a gente fez. Esse processo leva tempo, porque o Youth não tem intenção de chegar invadindo a igreja. Se o pastor entendeu a visão, se o líder entendeu a visão, glória a Deus. Não vamos ficar forçando, é para quem quer participar.
Atrair e manter o jovem nos caminhos de Deus tem sido um dos maiores desafios, senão o maior enfrentado pelas igrejas, que perdem para as atrações do mundo secular. O Youth pretende preencher esse espaço deixado pela igreja em sua relação com os jovens?
Quando um jovem vê outro jovem sendo usado na obra de Deus, trabalhando, ministrando louvor, trazendo a palavra, a oferta, ele pensa que se o outro está fazendo ele pode fazer também. Ele pensa que se um jovem da idade dele consegue abrir a bíblia e pregar cheio de gírias, com português errado ou misturado com inglês, e ele consegue entender, então também consegue fazer isso. Às vezes o jovem cria uma barreira e se pergunta: será que para pregar eu tenho que falar igual àquela pessoa, me vestir igual a ela? A gente quer quebrar essa cultura de que tem de orar dessa forma, pregar dessa forma, cantar dessa forma. Quando a gente muda isso, o jovem começa a se identificar mais e vê que ele também pode fazer, do jeito dele. Eu acredito que Deus olha o coração, se você está fazendo o seu melhor.
Eu vejo uma mesmice na forma como as igrejas em geral interagem com os jovens. Onde você acha que as igrejas estão errando com a juventude?
É interessante você falar isso. Tem a igreja e o mundo lá fora. Falando de tecnologia, por exemplo, o mundo não pára, traz sempre algo novo, um estilo novo de música, um software novo, uma forma de se vestir nova. Dentro da igreja a gente ouve que não pode mudar o jeito de trabalhar, o jeito de vestir é assim, a forma de fazer o culto é assim, o louvor é desse jeito, tem que começar desse jeito e terminar desse jeito. Se a gente não mudar a forma de trabalhar com o jovem e continuar nessa mesmice, a gente vai perder. Não muda a mensagem. A mensagem é a mesma, Jesus Cristo salva, cura, liberta e vai voltar para buscar a igreja. Mas a forma de passar essa mensagem para o jovem deve ser diferente.
O Youth Revolution vem acontecendo dentro das igrejas. Está nos seus planos outros espaços, lugares diferentes?
Uma das idéias que a gente tem, mais para frente, quando o grupo estiver mais maduro e preparado para coisas maiores, é usar lugares neutros, como estratégia de evangelismo. Quando a gente fala que vai fazer alguma coisa na igreja, as pessoas pensam que já sabem o que vai acontecer lá.
Eu estive em três eventos dos Youth. Não notei uma tendência “radical”, um ambiente com característica da juventude, decoração com esportes de adrenalina, vídeos com solos de guitarra, por exemplo.
A idéia é de não fazer nada radiacal agora no começo. Isso vai acontecer com a maturidade do grupo. Estamos em uma fase de conhecimento. Vamos aos poucos conhecendo as habilidades de cada um e como isso será utilizado. Mas há a intenção. Como disse, temos consciência que precisamos passar a mensagem de forma mais interagida, senão a gente vai perder os jovens.
E financeiramente, as igrejas estão participando?
Desde o princípio a gente não queria ser um peso para as igrejas. Eu sei que a minha igreja, por exemplo, tem muitos gastos, então por que criar um ministério para ter um gasto a mais? A gente decidiu tirar oferta para fazer os cultos. Quando começar a sobrar, vamos fazer cartazes, camisetas, material de mídia. Queremos investir na vida dos jovens.